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Filmes

Crítica: No Portal da Eternidade – A solidão de Van Gogh

Em meio a confusão existe beleza e solidão.

15 de fevereiro de 2019 - 12:37 - Tiago Soares

Van Gogh é uma figura conhecida mundialmente por ter suas obras finalmente reconhecidas após sua trágica morte. Mais conhecido ainda por ser uma pessoa com certa instabilidade mental e emocional, o que o levou a se auto-mutilar tirando a própria orelha. E muito mais reconhecido por ser um excelente pintor. “No Portal da Eternidade” pega essas três opiniões sobre o artista e joga fora, tornando-o uma figura humana qualquer, com uma mente dotada de complexidade e uma vida cercada pela solidão.

Willem Dafoe (indicado ao Oscar pelo papel) é o responsável por trazer toda essa loucura e torná-la lúcida aos nossos olhos e ouvidos. O ator transmite todos pensamentos e divagações de alguém que está sozinho e não vê nenhum futuro para sim além da pintura. Sua relação com o irmão Theo (Rupert Friend) e o pintor Paul Gauguin (Oscar Isaac), traduz bem o sentimento de impotência. Ao mínimo sinal de ausência de ambos, Vicent fica desesperado e é como se nada pudesse salvá-lo de si mesmo.

A direção de Julian Schnabel (O Escafandro e a Borboleta), auxiliado pela bela cinematografia de Benoît Delhomme (A Teoria de Tudo) traz belas imagens cercadas de fluidez, realismo e uma câmera que não pára – seja indo de encontro aos rostos ou acompanhando seus personagens por paisagens escuras e azuladas – seja pelas belas paisagens amareladas durante o dia (cores importantíssimas na carreira do pintor). Devido a beleza e uma narrativa quase experimental, é justo dizer que a produção se parece muito com um filme de Terrence Malick.

A trilha sonora com um piano pesado que acelera aos poucos, além de um voice-over desconexo traduzem o que se passa na cabeça de Vicent. Seus surtos assim como a música param de repente – a tela escurece e vemos um homem lúcido falando sobre a vida, a morte e a eternidade. Um pouco repetitivo em certos momentos, No Portal da Eternidade é um filme lento que anda em seu próprio ritmo e traça seu próprio caminho pela visual atual de um dos maiores artistas que já existiram.