AODISSEIA
Filmes

Crítica: No Olho do Furacão

Mais assalto e menos furacão por favor

11 de junho de 2018 - 14:43 - Tiago Soares

Fazer um filme não é uma tarefa fácil. Encontrar coesão entre roteiro, direção, atuações – tudo isso demanda tempo – e dinheiro. Quando se faz um filme com um elenco que já brilhou em outros produções (sendo boa parte delas um fracasso), precisa-se de muita, mais muita grana. Se um já é difícil imagina dois de uma vez, e pior ainda, dois em um.

É o que “No Olho do Furacão” se propõe. Um filme de furacão (como o título deixa claro), com um filme de assalto correndo em paralelo. Acompanhamos a saga de Casie (Maggie Grace), tentando proteger um prédio federal, lugar aonde “dinheiro velho” é descartado, dando lugar a um novo.

Um grupo, com a ajuda de alguns internos, resolve realizar um grande assalto, se aproveitando de um furacão que está vindo e que promete arrasar a cidade. Ao lado do meteorologista Will (Toby Kebbell), Casie vai tentar usar o fenômeno ao seu favor, ao mesmo tempo em que tenta salvar os reféns, entre eles Breeze (Ryan Kwanten), irmão de Will.

O que se vê logo de cara é um filme dando muito certo, e outro dando muito errado. Como filme de assalto, a produção é competente, usa dos clichês dos filmes de ação da melhor forma possível. Os tiroteios, o sangue, as reviravoltas e traições está presentes. O filme consegue construir uma sensação real de urgência.

Já como filme de furação, peca miseravelmente. O CGI é sofrível e as soluções mediante ao problema são risíveis. Uma cena em particular próximo ao último ato, quase me fez abandonar a produção, devido ao amadorismo. É como se na cabeça do diretor aquilo fosse maravilhoso, no real ficou bem ridículo.

Outro ponto é unir atores de peso para uma produção digamos “fraca” para os padrões deles. Ralph Ineson completa esse elenco e até tenta fazer alguma coisa com o que tem a sua disposição, mas acaba se tornando um personagem unidimensional.

A fotografia é muita escura, as escolhas visuais são pouco inspiradas e a trilha sonora quase inexistente. Rob Cohen (diretor do primeiro Velozes e Furiosos) até traz conceitos de perseguição utilizados lá atrás, gerando algumas cenas empolgantes, mas o resultado final acaba não valendo o ingresso.