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Ano passado vimos Michael Fassbender assumir o papel de Steve Jobs. Apesar da reação contrária imediata, por Fassbender não ter semelhança nenhuma com Jobs, o roteiro de Aaron Sorkin se sobressai e entrega um bom filme. A aparência é o de menos. No cinema nacional, isso também foi motivo de questionamento. Na cinebiografia de José Aldo (Mais Forte que o Mundo), o ator José Loreto, responsável por ser o protagonista, era bem mais alto, e em nada parecia com o lutador manauara. Felizmente, uma ótima atuação de Loreto, fez qualquer um deixar as críticas de lado.

Desta vez a escolhida para interpretar Nina Simone, a polêmica e talentosa lenda do jazz e pianista clássica, foi Zoe Saldana, e choveram críticas a mesma. Principalmente por ter a pele bem mais clara que a cantora, além de acusações de uso de black face [quando é realizada uma pintura no ator/atriz para parecer negro(a)] e algumas técnicas para aumentar o nariz e dar contornos mais afro-americanos a Zoe.

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Mesmo sofrendo esse “boicote”, se o filme fosse bom, isso poderia perdurar por pouco tempo. Infelizmente a diretora estreante Cynthia Mort, não entrega uma produção coesa, e mais parece uma colagem de momentos de Nina. A decisão de focar pouco na vida da cantora, e mais na sua relação com Clifton Henderson (David Oyelowo), que foi amigo e empresário dela nos últimos 8 anos, se mostra um erro, não graças a atuação de David, que é ótima, mas muito em questão da vida de Nina ser conturbada e ter assuntos bem mais interessantes.

A pouca duração também atrapalha, e 90 minutos é uma curta duração para uma cinebiografia. Os números musicais, cantados pela própria Zoe Saldana, perdem força, porque a atriz tem uma voz muito suave e não imponente como Nina. Zoe entrega uma atuação muito caricata, é como se víssemos uma imitadora, causando certos momentos de “vergonha alheia”, porque sabemos que Nina era e falava daquele jeito por ser ela mesma, não de maneira forçada.

A trilha sonora sempre presente e não dando espaço para o silêncio, incomoda. Pois a qualquer momento, parece que quer nos fazer chorar. O roteiro da própria diretora, é fraco e repete muitas situações, as vezes com as mesmas frases. Nina é uma cinebiografia que não merece ser vista, porque Nina Simone é muito mais do que o mostrado. Para isso confira o documentário da NetflixWhat Happened, Miss Simone?, que detalha com emoção, toda a trajetória de Nina , apesar de não ter uma crítica aqui, é nota 5/5.

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Nina

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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