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Novo filme de Doug Liman, “Mundo em Caos” deixa claro que seria um saco ouvir o pensamento alheio


Imagine viver em um mundo onde você pode ouvir o que as pessoas pensam de você? Ainda teríamos amizades, empregos e familiares no almoço de domingo? Acho bem difícil. O novo filme de Doug Liman (de “A Identidade Bourne” e “No Limite do Amanhã”), tenta passar esse sentimento infernal, e até faz isso bem, mas “Mundo em Caos” ultrapassa as barreiras do irritante.

A trama de “Mundo em Caos”

Em um futuro pós-apocalíptico onde a humanidade já começou a colonizar outros planetas, uma infecção rara e perigosa tomou conta de um planeta e causou o inimaginável: todas as mulheres foram mortas, e agora os pensamentos de todos os homens tornaram-se audíveis, com algo chamado “ruído”. O jovem Todd, temendo a destruição total, decide partir fugindo de sua cidade e, durante sua jornada, conheça pela primeira vez na vida uma mulher.

Foto: Reprodução Paris Filmes

Mas e ai, o filme vale a pena?

O roteiro de Christopher Ford (“Homem-Aranha: De Volta ao Lar”), baseado no romance homônimo de Patrick Ness, não é nada sutil. Haja vista que traduzir tudo aquilo que seus personagens pensam, torna o texto inchado. De todo modo se torna compreensível, mas no caso de “Mundo em Caos”, o óbvio toma conta, e de certa forma, afeta a imersão do espectador.

Algumas coisas não precisam ser ditas, mas a produção parece reafirmá-las para que fiquem ainda mais claras. O que acaba afetando as boas atuações de Tom Holland e Daisy Ridley, que em vários momentos tenta gerar emoções no espectador, sem sucesso.

Sendo assim, o tal ruído, apesar de visualmente eficaz, não parece afetar narrativamente a obra, que depende de outros fatores para seguir em frente. Um deles é a boa química de Holland e Ridley, ancorada no talento de ambos e não no roteiro, que até tenta discutir assuntos importantes como masculinidade tóxica e liberdade, mas não se aprofunda em nenhum deles.

Mundo em Caos

Foto: Reprodução Paris Filmes

Se o texto de “Mundo em Caos” não é eficiente, não se pode dizer o mesmo da boa direção, principalmente nas cenas de ação. Apesar do CGI, que beira mais a um filme de baixo orçamento do que um blockbuster, Liman conduz com vigor as cenas mais frenéticas, e o que não falta aqui é perseguição.

Ao invés de discutir os temas que se propõe, (dando mais espaço as mulheres por exemplo), “Mundo em Caos” acaba por torná-las coadjuvantes de luxo. Sem contar que é bem tosco colocar Holland escalando em certo momento do filme, e Ridley sendo uma sucateira em outro, limitando os atores aos seus personagens mais famosos. O núcleo vilanesco encabeçado por Mads Mikkelsen é genérico, refletindo um mundo rico que o filme tinha em mãos, mais que não soube aproveitar.


“Mundo em Caos” estreia no dia 13 de maio (quinta-feira), nos cinemas brasileiros!!!

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Mundo em Caos

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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