AODISSEIA
Filmes

Crítica: Mogli Entre Dois Mundos é sombrio e realista

Filme de Andy Serkis apresenta estética mais crua, mas não menos interessante


11 de dezembro de 2018 - 13:07 - Tiago Soares

É inevitável não associar o novo Mogli com a releitura live action do clássico da Disney em 2016. Não apenas pela proximidade de ambos os filmes, mas pelo fato das duas produções virem de estúdios rivais. Se a Disney é detentora dos direitos da Marvel e conhecida por seus filmes coloridos, a Warner é exatamente o contrário com seus tons escuros, sombrios e realistas e o novo Mogli não foge do padrão neste sentido.

Faltou coragem do estúdio ao não trazer essa releitura para as telas do cinema, coragem essa que sobra na figura do diretor Andy Serkis, ao trazer um tom mais cru e com pitadas de sangue a um universo que a Disney ajudou a consolidar. Desprender a mente dos traços coloridos da animação e porventura do live action é uma tarefa difícil, mas não impossível, tendo em visto que isso acontece logo depois da cena inicial que é praticamente igual aos anteriores.

A partir daí esqueça as músicas, as relações de amizade e afeto entre homem e animal. Mogli está na floresta pois é conveniente que o mesmo seja o líder de um lugar que tenta sobreviver ao mal do homem. É no mínimo irônico a figura do menino lobo ser uma espécie de salvador, já que sua espécie é a responsável por todo o mal. O protagonista vivido por Rohan Chand transita entre momentos de fofura e fala imponente, muito mais maduro do que realmente é.

Se a adaptação anterior tinha um elenco estelar, esta também não deve em nada. Temos o nada misericordioso Bagheera de Christian Bale, o nada fofo Baloo de Andy Serkis, a sempre sedutora Kaa de Cate Blanchett e o ameaçador Shere Kan de Benedict Cumberbatch. Nos trailers, o visual dos animais incomodava um pouco, pois parecia tudo muito rústico e inacabado, incômodo este que se perde com o passar do tempo, já que condiz com o universo apresentado. O novo Mogli é repleto de violência, seja ela gráfica ou implícita, definitivamente não estamos diante de um filme infantil.

A direção de Andy Serkis é segura, mas apresenta alguns problemas de tom com o passar do tempo. O filme tem momentos de brilho e uma fotografia mais clara, e longo em seguida muda completamente em tons mais opacos, não sabendo exatamente que contexto apresentar a história. Mesmo assim apresenta um final catártico, empolgante e muito mais fiel a obra original.