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“Miss Marx” não sabe utilizar os clichês ao seu favor, se tornando uma produção bonitinha, mas sem propósito


Com o lançamento recente de “Enola Holmes”, irmã fictícia do fictício Sherlock Holmes, me perguntei se a “Miss Marx” do título realmente existiu. A resposta é sim. A brilhante, inteligente e livre Eleanor “Tussy” Marx, é a filha mais nova de Karl Marx.

Ela estava entre as primeiras mulheres a vincular feminismo e socialismo, e participava ativamente das reivindicações das trabalhadoras pelos direitos das mulheres e pela abolição do trabalho infantil. Em 1883, porém, Eleanor conheceu Edward Aveling e sua vida é destruída por uma apaixonada, mas trágica história de amor.

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miss marx

A primeira impressão do filme de Susanna Nicchiarelli é que se trata de uma história clichê, do personagem centrado e com um objetivo, sendo interrompido pelo fogo da paixão, e é exatamente isso que acontece. O filme até se utiliza de flashbacks da relação de Eleanor com o pai, para dar mais profundidade a personagem, além da quebra da 4ª parede.

Mas ao invés de mostrar os pensamentos mais íntimos da Miss Marx, o recurso é utilizado para revelar discursos pomposos, sem a intenção de estreitar laços. A trilha de punk rock pesado, destoa daquele universo, apesar de entender o objetivo desta em tornar Eleanor disruptiva e segura de si.

O discurso feminista de “Miss Marx”, se contrapõe a atitude da personagem, fazendo com que Nicchiarelli a torne mais humana, numa falsa sensação de liberdade. Sua autodeterminação se deve ao grande trabalho de Romola Garai na pele de Eleanor.

Trazendo questões atuais a realidade do século XIX, “Miss Marx” é explosivo, mas assim como uma bomba, deixa seus estilhaços em vários lugares, matando alguns de tédio.


Filme visto na 44ª Mostra de São Paulo. Saiba mais sobre o evento AQUI.

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Miss Marx

3.5

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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