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Uma animação curiosa. Essa é uma boa definição para esse filme francês, escrito e dirigido por Thomas Szabo e Hélène Giraud, que reconta uma história simples sob um aspecto visual incomum. Poderia ser melhor, mas Minúsculos abre bem a temporada de animações de 2015.

O filme segue uma joaninha que se perde dos pais após um ataque de uma gangue de moscas. Na sua jornada de sobrevivência, ela acaba entrando em uma caixa de açúcar e, quando um grupo de formigas encontra esse alimento,  acaba entrando sem querer no meio de uma guerra pelo doce.

A história em si é bem batida, misturando um pouco de Vida de Inseto, Procurando Nemo  e várias outras produções do tipo.O desenvolvimento, as reviravoltas e o drama da joaninha protagonista não fogem nem um pouco do comum. Algumas piadas com o açúcar e com as diferenças entre a joaninha e as formigas funcionam, mas o roteiro não é nada de tão brilhante. Mas eu acho que não se pode cobrar tanto de um filme infantil que se arriscou para fazer algo visualmente diferente.

E é esse visual que mais chama a atenção e merece ser observado. Em primeiro lugar, esse é um filme protagonizado por animais que não tem falas, ou seja, o diretor optou por não humanizar os animais ao ponto deles adquirirem capacidade de fala. Eles pensam, leem, lutam, usam uma espécie de código Morse e até fazem alguns sons, mas nunca falam como nós.

O segundo aspecto interessante é que s cenários são, em sua grande maioria, reais ou pelo menos parecem ser. A maneira como os diretores decidiram fazer a filmagem dos cenários desde o início é muito realista e deixa alguns momentos muito parecidos com aqueles documentários da BBC (inclusive o Fantástico estava exibindo um onde os objetos de estudo eram os animais pequenos e desconhecidos). E isso fica mais interessante quando os insetos entram em cena.

A animação dos animais é claramente feita através de uma junção entre a técnica de stop-motion e a de modelagem 3D, entretanto eu tive alguma dificuldade para identificar como foi, de fato, realizado esse filme. Em algumas cenas, fiquei em dúvida se eles foram inseridos durante as filmagens ou somente na pós-produção. Acredito que tenha sido usada a segunda opção, todavia qualquer técnica usada deixaria claro que os realizadores estavam decididos a fazer algo diferente.

O uso dos cenários reais dá ao filme uma beleza diferente e a mistura com os insetos animados, que tem movimentação e desenho muito bem feitos, gera um contraste legal entre o real e o animado. Eu só tive problemas com as aparições dos animais maiores, como peixes e lagartos, que tem uma animação mais brusca e fazem a mistura com o cenário ficar um pouco estranha. São limitações visuais que o filme consegue passar por cima.

Os objetos usados em cena também são reais e conseguem dar mais um toque a mais no visual, principalmente nas cenas da guerra. É divertido ver como os minúsculos dão uma utilidade inesperada pra tudo o que faz parte do nosso dia-a-dia e as cenas de ação ressaltam isso. Com certeza usar palito de dente, aspirina e fogos de artifício como armas de destruição em massa é algo brilhante.

Como não assisti o longa com meus irmãos mais novos, não sei dizer qual é o efeito desse visual nas crianças, mas posso dizer que tem coisas que podem não funcionar com os menores. O visual é bonitinho e os personagens carismáticos, mas as cenas de ação são pouco elaboradas para o padrão atual, o 3D é apenas razoável e muitas piadas, que usam basicamente a imagem e os efeitos sonoros sem nenhum texto explicativo, podem depender de uma maturidade maior para serem compreendidas. Isso pode ser a consequência negativa de fazer o diferente, mas quem garante que eu não estou subestimando as crianças.

Apesar disso tudo, Minúsculos é um filme arriscado, que mais acerta do que erra. Fico muito feliz de ver algo bem simples funcionando e gerando algo divertido, ainda que ele pudesse ser mais elaborado em vários aspectos, como o roteiro. Entretanto, em tempos de grandes animações, como Uma Aventura LEGO, acredito que esse talvez não venha ser um grande sucesso. Isso não quer dizer que ele não mereça ser apreciado.

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