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Mãe é sempre igual, só muda o endereço


Uma campanha de marketing efetiva, o reconhecimento nacional de um personagem, uma estréia bem planejada para a semana do Natal e Minha Mãe é uma Peça 2 já começou a bater recordes de bilheterias no cinema nacional. No entanto, fica difícil negar que o maior trunfo do filme está na identificação que Dona Hermínia encontra em pais e filhos de qualquer lugar ou classe social. É ou não é a fórmula perfeita para o sucesso?

Considerando esse terreno bem preparado, o filme não precisa fazer mais do que explorar os desafios diários da personagem após as confusões do longa original (que eu, sinceramente, não lembro quais foram). Seu filho está desempregado, sua filha quer ser atriz, seu programa de televisão pode estar correndo alguns riscos de cancelamento, sua irmã está voltando de Nova York por alguns dias e sua tia precisa enfrentar o Alzheimer. Tudo isso acontecendo de uma vez só na vida de uma pessoa louca e sem muita paciência pode ser muito devastador ou extremamente engraçado.

É claro que o que prevalece nesse caso é a segunda opção, apoiando tudo em um roteiro sem um pingo de estrutura narrativa ou tramas bem definidas. Todos esses problemas diários vão surgindo de forma aleatória no decorrer do filme, criando basicamente uma sequência de esquetes que não move a personagem do seu status quo até os inexplicáveis minutos finais. As coisas não parecem se conectar tão bem, as tramas vão sendo encerradas sem que o filme realmente chegue em um clímax propriamente dito e resta uma sensação de que seus 86 minutos de duração são muito mais longos, descontando as incoerências da ausência das irmãs na última visita a tia ou a tentativa da direção de explorar a tensão de uma das revelações mais obvias do roteiro.

Entretanto, essa mistura alucinada de situações também pode ser considerada o ponto forte do longa quando Paulo Gustavo (Vai que Cola) começa a brilhar. Ele centraliza todo o elenco em torno de sua performance um tanto quanto estereotipada e aproveita a diversidade de momentos para transitar entre piadas inteligentes, físicas e abobalhadas no estilo Zorra Total. É aí que fica quase impossível que alguém sai da sala sem se identificar com pelo menos uma daquelas reações típicas de mãe e até se emocione caso tenha vivido alguma perda ou problema familiar recente. Isso aconteceu na sessão em que eu estava, então fica o recado.

A direção não foge do padrão de comédias simples brasileiras, o elenco tem a química necessária com o protagonista e o roteiro cumpre exatamente sua promessa de arrancar risadas despretensiosas. Algumas funcionam, outras não e a falta de conexão entre as tramas incomoda muito quando Dona Hermínia precisa apresentar algum avanço emotivo em relação ao que está acontecendo em sua vida, mas Minha Mãe é uma Peça 2 não foge da cartilha básica, encontra seu espaço com muitos públicos diferentes e consegue alegrar um pouquinho esse 2016 que pode terminar com um gostinho amargo para muitas famílias.


Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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