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Filmes

Crítica: Minding The Gap – lidando com as frustrações através do skate

Documentário indicado ao Oscar usa do skate pra falar sobre família e amadurecimento


18 de fevereiro de 2019 - 15:02 - Tiago Soares

A principal função de um documentário é retratar a realidade através de uma narrativa própria. Quando essa narrativa é pessoal demais, a história pode seguir dois caminhos: se perder totalmente naquilo que deseja contar ou tornar a trama mais emocionante. Felizmente, “Minding The Gap” segue o segundo caminho ao unir três jovens que vivem em Rockford, Illinois e têm suas histórias unidas através do amor ao skate que é a única forma de lidarem com as frustrações da vida.

O documentário dirigido por Bing Liu (que também tem sua história retratada) segue a vida, os relacionamentos e seus fins, as relações familiares, a paternidade precoce, a busca pelo primeiro emprego e primeiro carro, a saída da casa dos pais, traumas do passado, enfim – vários outros temas que merecem nossa atenção. Esteticamente, Minding The Gap não foge dos inúmeros vídeos vistos na internet sobre manobras de skate e isso não tira o valor da obra – que encontra seu lugar no dinamismo e a fluidez.

Em nenhum momento o documentário de Liu endeusa as figuras apresentadas, fazendo de sua própria história, a de Kiere Johnson e de Zack Mulligan – respectivamente um retrato sobre classe, raça e masculinidade. O skate, além de ser a forma de escape, é onde se encontra os momentos de sorriso e descontração de toda a narrativa. Um plano de fundo necessário para tratar de assuntos bem sérios, atitudes babacas e amadurecimento. Não se importando com a linearidade, apesar de manter um certo sentido, suas histórias são cercadas de feedbacks, pensamentos e metas autoimpostas, o que se torna ainda mais prazeroso ao acompanhar o “fim” (lê-se o fim da produção) deles.

Adquirido pelo Hulu após sua estreia em Sundance no ano passado e indicado ao Oscar 2019, Minding The Gap é um retrato social e corajoso sobre adolescência, juventude e vida adulta. O documentário vai além da amizade, colocando todos no mesmo patamar com seus problemas, alguns que nem mesmo o vínculo entre eles é capaz de resolver. A autodescoberta só tem seu valor pois é um retrato pessoal de Liu e seus amigos, e não de alguém fora daquele círculo, o que poderia torná-lo formulaico demais. Em vez disso, Zack e Kiere se sentem a vontade para falar sobre seus medos, anseios e sonhos, tornando seus relatos identificáveis e recheados de uma busca incessante pelo amor.