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Filmes

Meu Nome é Dolemite: Pretos no Topo

Com elenco majoritariamente negro, Eddie Murphy está de volta!


28 de outubro de 2019 - 00:52 - Tiago Soares

O blaxploitation dominou a cultura negra durante a década de 70. Cinema, TV, música, tudo feito por negros, para negros. Uma das grandes figuras da época era o multifacetado Rudy Ray Moore, que aqui ganha uma cinebiografia para chamar de sua. O comediante, músico, cantor, ator e produtor de filmes falecido em 2008, usava a alcunha de Dolemite, personagem no qual fazia um cafetão que proferia palavrões ofensivos, afim de fazer graça. Tendo um grande sucesso com seus álbuns de rima (por isso conhecido como o “padrinho do rap”), Moore queria mais, e em “Meu Nome É Dolemite”, Eddie Murphy é o responsável por isso.

Depois de ir ao cinema e ver um filme de comédia “branca”, Moore percebeu que não havia negros na produção e nem ele ou seus amigos davam risadas. Buscando uma forma de alcançar mais pessoas, o comediante decide fazer seu próprio filme, ou melhor, um filme do Dolemite. Craig Brewer traz vigor a sua obra, contando uma história rápida e simples nas quase 2 horas de produção. Acompanhamos o início sofrido de Rudy Ray Moore, que já não tinha mais expectativas, até o sucesso e as várias viagens numa tour pelos EUA.

Com um elenco em sua maioria negro, o cineasta nos transporta até a década setentista, muito por conta do design de produção vibrante e dos figurinos recheados de cor de Ruth E. Carter (vencedora do Oscar por Pantera Negra). A trilha que transita de Marvin Gaye, até James Brown também auxilia nessa imersão. Mas nada supera a atuação marcante de Eddie Murphy, sem dúvida uma das melhores de sua carreira. A cereja do bolo fica por conta do pouco, mas cômico tempo de tela de Wesley Snipes como D’Urville Martin. Caricato e afetado, o ator parece outra pessoa, e merece demais uma indicação ao Oscar de coadjuvante.

É prazeroso ver o texto de Scott Alexander e Larry Karaszewski traçando uma trama detalhista e sem perder tempo com barrigas ou esconder o fato de que Moore e seus amigos, não tinham a mínima ideia do que estavam fazendo. Acompanhar passo a passo para gerar aquele que seria seu primeiro filme é algo risível e bastante empático. Torcemos para que tudo na vida do astro dê certo, mesmo com seu jeitão politicamente incorreto. Rudy Ray tem um bom coração e seria injusto não citar a arrebatadora Da’Vine Joy Randolph no papel de Lady Bee, uma das atrizes e comediantes a qual ele ajudou rumo ao estrelato.

meu nome é dolemite

“Meu Nome é Dolemite” segue uma narrativa linear mas bastante envolvente. Eddie Murphy se torna o ídolo que tanto admirou, e traz bastante veracidade a Rudy Ray Moore. Junto dele, nomes de peso como Chris Rock, T.I., Craig RobinsonKeegan-Michael Key, Tituss Burgess e até Snoop Dogg dão as caras e parecem se divertir em tela. Aliás, não falta diversão em quem acredita que cinema era feito com nudez, risadas e muito kung fu.