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Eu não sou um grande fã de filmes musicais, simplesmente porque todas aquelas falas cantadas me incomodam. No entanto, eu gosto muito de filmes sobre música, principalmente quando eles são uma declaração de amor ao assunto. Felizmente, Mesmo se Nada der Certo se encaixa na segunda categoria.

O filme conta a história de uma jovem compositora que viaja para seu namorado após este virar um astro. Depois de ser traída por ele, ela decide ir embora até que conhece outro perdedor, que se oferece para produzir um disco dela. Basicamente é isso, considerando que histórias de amor vão entrelaçando todo esse contexto musical.

No início, eu achei que o filme seria uma comédia romântica com um bom plano de fundo musical, mas o filme passa longe de ser isso. Pra começar, seu desenvolvimento foge completamente do normal, usando alguns idas e vindas temporais bem interessantes. Depois, o filme faz o exato oposto do que era esperado e realmente deixa o romance como plano de fundo para fazer uma homenagem à música.

 

O amor está evidentemente no ar e isso está inserido no clima do filme, mas o personagem pode ser apaixonado pela música, pela fama ou pela sua família. Essa abordagem faz com que o filme consiga se desenvolver de maneira honesta, tangenciando os clichês e surpreendendo o público. É um filme que trabalha com o amor baseado na vida real, então muitas vezes aquele olhar que entregaria o final pode não significar nada. A vida real geralmente é cheia dessas reviravoltas que nos pegam de surpresa e filme sabe explorar isso da maneira correta.

Além desse desenvolvimento, que me agradou bastante, o roteirista John Carney separa um espaço para fazer uma justa e interessante critica a indústria fonográfica americana. Não é algo que rouba o espaço do amor e da música em si, mas está ali nas entrelinhas de maneira sutil e interessante. Assim como algumas boas referências pop e musicais que vão surgindo nos diálogos.

O roteiro é imprevisível e interessante, mas não é perfeito. Tem alguns momentos onde ele escorrega e só não prejudica o filme porque a música aparece para salvar. A trilha sonora é inspirada, aproxima o público dos personagens e ainda ocupa espaços narrativos deixados pelo roteiro, principalmente com belas letras escritas para as canções originais, que são minuciosamente produzidas. O filme me ganhou de vez quando tocou As Time Goes By, do filme Casablanca, todavia a melhor música é a original Lost Stars, que combina muito bem com Adam Levine e mereceu sua indicação ao Oscar.

A direção também é de Carney, que consegue fazer um trabalho interessante. Ele emula o visual clichê das dramédias, usa bons ângulos para filmar e consegue apresentar tudo com a sensibilidade necessária. Às vezes esse sentimentalismo passa um pouquinho da conta, mas a direção consegue fazer um bom trabalho.

Da parte técnica, além da trilha sonora sensacional, também gostei da edição, que ajuda a dar boa parte da movimentação ao filme. Assim como a direção e o roteiro, não é nada fora do comum ou digno de Oscar, mas faz seu trabalho com louvor e ajuda a contar uma boa história.

O elenco funciona no mesmo esquema e faz seu trabalho. Mesmo atuando no automático total, Mark Ruffalo e Keira Knightley formam uma dupla carismática e divertida. Ele repete o papel do depressivo dando a volta por cima, que já fez em vários longas, e ela surpreende ao realmente cantar todas as músicas.

No entanto, são os coadjuvantes que mais impressionam e roubam algumas cenas no decorrer do filme. Hailee Steinfeld, Catherine Keener e Mos Def mandam bem, ainda que eu ache a personagem da primeira um pouco instável. Adam Levine canta bem e não atrapalha em nada como ator. E o real destaque é o gordinho James Corden, que manda muito bem com os instrumentos e com a comédia.

Um filme que não é algo impressionante e totalmente imperdível, mas vale a pena ser visto. Não tem nenhum aspecto irreparável, mas que cumpre sua função e apresenta um bom filme. E se isso não for o bastante, assista pelas músicas e pela declaração de amor feita ao meio musical.

OBS 1: Cee Lo Green interpreta quase ele em uma boa participação especial.

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2 Comments

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