AODISSEIA
Filmes

Crítica: Megatubarão é um surpreendente meio-termo entre Tubarão e Sharknado

Um blockbuster galhofa, levemente tenso e muito divertido.


14 de agosto de 2018 - 16:45 - Flávio Pizzol
A ideia, o pôster, o trailer e todos os outros materiais de divulgação já deixavam claro que Megatubarão passava longe de ser uma produção séria. Mesmo assim, algumas imagens conseguiram até mesmo exagerar a mão e passar uma mensagem ainda mais galhofa do que a do produto final. Digo isso, porque o longa realmente não quer saber de realismo, mas sua força está em saber como divertir sem compromisso, criar tensão e encontrar, com propriedade, seu lugar entre a seriedade do clássico de Steven Spielberg e o descompromisso total da tal franquia que lançou gigantes do mar pelos céus do mundo. Um equilíbrio que só é encontrado porque todos os envolvidos na produção sabem exatamente o tipo de filme que tem em mãos. Enquanto todos aceitam que a proposta é boba e derivada de outros clássicos, esse autoconhecimento permite que um ataque de tubarão a uma estação de pesquisa subaquática se transforme em uma caçada liderada por um nadador traumatizado sem medo de parecer ridículo, servindo apenas como pontapé para um show de personagens “inteligentes” que tomam decisões estúpidas, arcos sem nenhuma profundidade (sem trocadilho) e uma trama completamente óbvia. Livres da necessidade sufocante de ser inovador dentro de gênero que atingiu o ápice em um dos seus primeiros exemplares, o trio de roteiristas composto pelos irmãos Jon e Erich Hoeber (RED – Aposentados e Perigosos) e Dean Georgaris (Sob o Domínio do Mal) só precisa focar suas atenções em usar o livro de Steve Allen (sim, essa premissa absurda saiu de um livro) para construir uma trama que faça sentido dentro do seu próprio universo. É um feijão com arroz que prende o público, acerta nas piadas cheias de referências e se destaca quando aposta em certas relações emocionais que fazem o espectador torcer – de maneira discreta, porque a maioria é bem batida – pela vida de protagonistas que obviamente não irão morrer. Por mais que escorregue em certas reviravoltas artificiais e exageradas, o material cumpre seu papel de levantar a bola para uma direção que sabe aproveitar o passe. Já Jon Turteltaub (Jamaica Abaixo de Zero) mostra que sabe equilibrar o longa, abraçando o nonsense da proposta, ditando um ritmo que raramente perde o fôlego e, principalmente, usando a pegada aventuresca que sempre permeou seu filmes para definir o tom de Megatubarão. Admito que as supostas cenas de terror poderiam depender menos de jumpscares tão óbvios, mas gosto bastante da maneira como ele cobre tudo com bom-humor, injeta energia nas cenas de suspense aquáticas, utiliza as dimensões do monstro para gerar um impacto momentâneo e ainda encontra espaço para explorar o carisma da pequena Shuya Sohia Cai nos tais momentos mais intimistas. É claro que essas sequências emotivas não mudam em nada o fato de que os personagens menos desenvolvidos são as únicas presas fáceis nesse tipo de narrativa, mas adiciona bons temperos na hora de apelar pra um falso senso de perigo que já é característico do gênero. Esse aspecto por sua vez, mesmo que por tabela, ajuda o elenco a carregar uma produção que não depende de muito talento pra funcionar. Tudo gira em torno do carisma e isso – apesar de saber que vou na contramão da opinião geral – eu acho que Jason Statham (Carga Explosiva) tem de sobra. Ele possui o mesmo nível de canastrice do projeto e seu jeitão de astro de ação acaba se encaixando como uma luva tanto na proposta quanto no restante da equipe formada por BingBing Li (O Reino Proibido), Rainn Wilson (The Office), Cliff Curtis (Fear the Walking Dead), Winston Chao (Fora do Rumo), Ruby Rose (Orange is the New Black) e Page Kennedy (Blue Mountain State). Os atores abraçam a galhofa com muito mais afinco do que a direção e colaboram bastante para que o resultado de Megatubarão seja justamente esse filme-pipoca previsível e derivado cujo objetivo é divertir acima de qualquer coisa, dosando o ridículo com a adrenalina acionada pela tensão no meio de um oceano de pequenos erros que podem incomodar mais algumas pessoas do que outras. Diante disso, eu sinto a necessidade de lembrar que tudo depende da expectativa quando se trata de Megatubarão: você pode procurar algo tão poderoso quanto o longa da década de 70 e se decepcionar, entrar esperando a zoeira total de Sharknado e se surpreender com um suspense levemente mais impactante, ou aceitar o equilíbrio da produção para sentar e se divertir sem grandes preocupações.
OBS 1: Fiquem ligados na piada com Procurando Nemo. Ela é ótima…