AODISSEIA
Filmes

Mataindios (Indigenous Slayer): uma incógnita peruana

Filme peruano colorido, e preto e branco.


11 de outubro de 2019 - 15:57 - Tiago Soares

É até difícil falar do filme peruano “Mataindios” (Indigenous Slayer), já que ao longo de seus poucos 76 minutos, a produção não sai da premissa inicial de sua sinopse. Nela, os moradores de uma vila no Peru organizam uma série de homenagens ao santo padroeiro da região, a fim de acabar com o desaparecimento constante dos habitantes do lugar, o que tem causado dor na maior parte do povo. Eles acreditam que se a entidade ficar satisfeita, os males não mais os assolarão.

Oscar Sánchez e Robert Julca seguem por um caminho nada usual. Um cinema afetado, cercado de metáforas sobre a divisão do trabalho em busca de um bem maior. Com poucos diálogos, o filme é dividido em capítulos, sendo que cada um deles foca nas várias fases da preparação para o culto a Santiago Matamoros (ou “mataindios”), o bendito padroeiro. Enquanto isso, a fotografia se alterna entre o colorido e o preto e branco, com câmeras colocadas em lugares inusitados.

O sofrimento e o choro dos residentes é potencializado por um certo desespero presente em suas atitudes. Não existe gratidão ou mesmo um sentimento de agradecimento, é apenas uma súplica, milimetricamente ensaiada. O espectador é sempre testado em exercícios de paciência constantes, já que os diretores optam por utilizar planos longos, com poucas mudanças de perspectiva, num estilo quase documental.

Mataindios fala sobre , mesmo que não se aprofunde pelo âmbito religioso. Confuso, o que vemos é uma colagem de imagens em sua maioria bonitas, mas de difícil compreensão.

 

Filme visto na 43ª Mostra de São Paulo