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A FOX não se arrisca ao apostar em ação de boa qualidade, comédia na dose certa e química entre seus protagonistas em Máquina Mortífera.

Talvez a grande surpresa desta fall season (pra quem não sabe é o outono, período em que a maioria das séries são lançadas – entre setembro e dezembro), Máquina Mortífera (Lethal Weapon no original), chegou nessa grande onda de séries baseadas em filmes. Algumas deram certo, outras não, justamente pela falta de originalidade e até o respeito ao material original. Felizmente MM foi além, alcançando uma boa audiência na FOX americana e com isso sendo renovada para a 2ª temporada.

Desenvolvida pelo criador Matthew Miller (Chuck), a série segue a mesma premissa dos 4 filmes originais de sucesso. O detetive inconsequente Martin Riggs chega a Los Angeles após perder mulher e filho em um “acidente”- ele será o novo parceiro de Roger Murtaugh um detetive cardíaco que só deseja terminar sua carreira com tranquilidade, algo abalado pela chegada de Riggs. É praticamente impossível ter o mesmo carisma de Mel Gibson e Danny Glover, os donos dos personagens originais, mas é correto afirmar que a série se sai bem nesse quesito.

Clayne Crawford é um Riggs perturbado, teimoso, deliciosamente sedutor e tem um bom viés dramático, além de seu time cômico incrível, apoiado pela excelente química que possui com Damon Wayans (o eterno Michael Kyle de Eu, a Patroa e as Crianças), que entrega um Murthaug mais sério, mas sem perder o carisma natural, suas piadas com Riggs e sua família sempre rendem boas risadas. A esposa de Murtaugh , Trish (Keesha Sharp) também ganha destaque, mostrando que o elenco principal completado por Kevin Rahm como o chefe Brooks e a brasileira Jordana Brewster (Velozes e Furiosos) como a psicóloga da polícia, é um dos acertos da produção.

O cuidado que a série tem o a direção e a fotografia é de encher os olhos, explorando bem toda a cidade de Los Angeles, seja nos bairros mais nobres ou em outros completamente abandonados. Um dos diretores mais experientes, McG (Supernatural, Nikita) entrega uma leva de melhores episódios, que equilibram bem a ação muito bem filmada e as cenas de perseguição policial. Aliás um amigo meu sempre diz que todo episódio tem que ter uma explosão (risos). As cores quentes ajudam a dar um senso de urgência em um série que se passa 80% durante o dia, méritos a David Moxness, Andrew Strahorn e Ramsey Nickell.

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Talvez a não necessidade de continuidade afaste o público mais seleto (aquele que vê muitas séries) de Máquina Mortífera, já que se você assistir o piloto e depois qualquer um dos episódios seguintes, sem seguir a ordem cronológica dos mesmos, terá entendido perfeitamente a série. Já que em cada episódio temos uma história e o “bandido” da semana. A única trama que ganha desenvolvimento é a sobre o possível assassinato da mulher de Riggs, que começa no excelente episódio de Natal, e ganha mais vida nos dois últimos, que são bastante tensos e com um roteiro bem mais trabalhado, embalados por uma trilha sonora pop, incluindo a versão do Bootstraps de Stand By Me, tocada também em Power Rangers.

A falta de um “vilão da temporada” e uma espécie de inovação, talvez sejam os únicos defeitos de Máquina Mortífera, que não procura repetir os filmes originais, mas também não os ofende, os 4 filmes ainda estarão lá. Com 18 episódios, mergulhamos mas na vida desses personagens. A FOX não se arrisca ao apostar em ação de boa qualidade, comédia na dose certa e química entre seus protagonistas. Tanto que o primeiro episódio é roteirizado Shane Black, criador da marca.

Máquina Mortífera | 1ª Temporada

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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2 Comments

  1. Só eu que percebi, que no ultimo episódio, na formatura do filho do Murtaugh, eles chamam um aluno chamado Michael Kyle? Baita referência a “My wife and kid – Eu, a patroa e as crianças”…

    1. Sim, você está correto haha
      Um dos alunos se chama Michael Kyle e é chamado antes do filho dele, justamente quando o Murtaugh chega na formatura.
      Grande referência.

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