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Séries

Crítica: Love – 3ª Temporada

Um final justo para uma comédia-romântica cada vez mais madura

2 de Abril de 2018 - 00:35 - felipehoffmann
Essa crítica foi originalmente escrita pelo nosso novo colaborador Kayque.

Há poucos dias estreava na Netflix a terceira e última temporada da comédia romântica Love. Sem sombra de dúvidas, encerrar uma comédia romântica em seu 34º episódio foi uma decisão certa a se fazer, o que não significa que não sentiremos falta de seus personagens, tramas e relações. Encerrar uma série com antecedência dá aos produtores a oportunidade de desenvolver e concluir a história a sua maneira e assim foi feito com Love.

Nesse contexto, Love é uma das poucas séries do gênero que consegue abordar os relacionamentos de uma maneira real, com seus autos e baixos, banalidades, situações ingênuas e uma história mais agridoce do que engraçada. Afinal, não seria assim a vida? Uma mistura de situações chatas, engraçadas, embaraçosas e reais?

 

 

Em sua terceira temporada, Mickey Doobs (Gillian Jacobs) e Gus Cruikshank (Paul Rust) já têm 2 anos e meio de convivência e, enquanto nas duas primeiras temporadas o casal luta para construir uma relação, nesta terceira as brigas são menos frequentes (mas ainda existem), e o foco da temporada parte para as situações vividas pelo casal para manter a solidez da relação. Neste ano Mickey é ex-alcoólatra e ainda viciada em sexo, enquanto Gus mostra ter sérios ataques de raiva e passa por séries problemas no trabalho. Destaque aqui para a conexão dos atores principais. A dinâmica funciona e somos convencidos de que casais como aquele existem no mundo real. Pode ser eu, você ou aquela sua prima que tem ‘dedo podre’ para homens.

Junte os protagonistas aos coadjuvantes Berthie, Randy, Chris e Ary (Claudia O’Doherty, Mike Mitchel, Chris Witaske, Iris Apatow) e está feita a temporada final de Love. Coadjuvantes que ajudam a elevar o nível da temporada final com subplots interessantes e que não caberiam em temporadas passadas.

O novo ano da série escolhe ir para o caminho menos óbvio e mantêm o relacionamento do casal sólido, sem términos e voltas em casa episódio, nem trocas constantes de casais (alô tio Ryan Murph, vamos aprender aqui?).

 

 

O humor ainda é o ponto forte da série, mas outro ponto a favor de Love é a profundidade com que a série aborda os problemas que os jovens adultos passam nos tempos atuais. Fala-se de relacionamentos, mas também sobre liga-los à individualidade de cada personagem e até mesmo como eles influenciam na vida como casal. E aqui falo de problemas para atingir objetivos profissionais, confusões entre colegas de quarto, conflitos com amigos quando os ritmos e estilos de vida estão se distanciando, até conhecer a família do companheiro que se está junto a pouco tempo. Mais uma vez aqui digo: dramas reais, que poderiam acontecer com qualquer um.

Assim como a vida real, Love também tem os seus problemas. Episódios mornos – como aquele dia em que você chega em casa e nada de interessante acontece – e outros surpreendentes – como uma reunião em família de onde sempre sai uma briga. Mas no final, a balança sempre pesa para o melhor lado. É uma homenagem às imperfeições de cada um.

No final, Love deixa aquele gostinho de “queria mais” misturado ao de “estou satisfeito, obrigado”.

 


 

Ps: [SPOILER] O relacionamento de Berthie, Randy e Chris daria um belo spin-off para Love, quem sabe o ciclo não se reinicie?