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“Lingua Franca” usa da sensibilidade para falar de pessoas à margem da sociedade


“Lingua Franca” é uma daqueles produções que poderiam se perder na riqueza de temas. O filme quer falar de transfobia, questões imigratórias, xenofobia, machismo, e felizmente, consegue se sair bem em todas elas, sempre com muita fluidez e delicadeza.

Olivia é uma imigrante filipina em situação ilegal, paranoica com a possibilidade de deportação. Ela trabalha como cuidadora de uma senhora judia russa chamada Olga, em Brighton Beach, no Brooklyn, Nova York. Quando o homem americano a quem ela está secretamente pagando por um casamento pelo green card desiste do plano, ela se envolve com o neto de Olga, Alex, que é empregado de um matadouro, e que não sabe que ela é uma mulher trans.

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lingua franca

Foto: Divulgação

Isabel Sandoval dirige, escreve, produz, edita e estrela essa obra arrebatadora. “Lingua Franca” começa calmo, sem pressa, e aos poucos vai se tornando um filme maior, que abraça muitos assuntos, dominando todos eles. Esse domínio se reflete em longos e sequenciais planos.

Acompanhamos o dia a dia de uma mulher que possui uma aura apaziguadora, daquelas que trazem boas novas. Essa sutileza logo revela-se enganosa. Olivia é uma pessoa quebrada, desiludida, sem muitas expectativas, o que se associa perfeitamente no seu cuidado com Olga, uma pessoa próxima ao fim da vida.

Não existem maiores aspirações, apenas um green card para ficar onde está, e permanecer na inércia. Sandoval traz uma protagonista introspectiva, filmada de forma distante, pelo menos até os momentos mais reservados, onde o medo se esvai, e ela pode enfim relaxar. Numa afetuosa cena de sexo, não está interessada em mostrar tudo, mas apenas o suficiente, dispensando curiosos.

Foto: Divulgação

“Lingua Franca” faz comentários políticos maduros, que vão de um simples noticiário, a sua própria macro-história. Afinal, o filme traz uma mulher transexual imigrante ilegal, uma idosa abandonada pela família, e seu neto, que apesar de um homem branco e hétero, trabalho num subemprego e tem problemas de alcoolismo.

Sandoval está preocupada em fazer esses paralelos, sem coagir o espectador a associá-los sempre que estão em tela. Muito mais do que um estudo de personagem, “Lingua Franca” é um aulão sobre dramas conjuntos e romances quase genuínos.

São duas figuras querendo reparar erros, que se complementam quando unidos, mas também se anulam quando esbarram num mundo que parece não aceitá-los. Estariam eles, dispostos a fazer sacrifícios?


Filme visto no 28ª festival mix brasil. Saiba mais sobre o evento AQUI.

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Lingua Franca

8.5

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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