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Crítica: La Casa de Papel – 2ª Parte

O plano perfeito ruiu

9 de Abril de 2018 - 01:02 - felipehoffmann
Essa crítica contém spoilers. Cuidado ein.

Quando o último episódio da primeira parte de La Casa de Papel acabou, o sentimento era dúbio. Será que o Professor (Álvaro Morte) fora tão burro a ponto de deixar aquela casa usada para planejar o assalto toda exposta ou seria só mais uma parte do plano para atrasar a inspetora?

Mas quando paramos para pensar, a resposta era certeira. Ele nunca faria isso. Cada movimento do Professor é tão meticuloso que até uma tampinha no quintal é estrategicamente colocada para distração.

A segunda parte de La Casa de Papel, disponibilizada pela Netflix em abril 2018, reinicia a história do Professor e de seus comparsas a partir de um momento crucial na série. Durante toda a primeira parte, os planos e as ideias seguiam um rumo esperado, porém toda ideia é falha em algum ponto. Não é uma ciência exata, portanto existem brechas que podem ser exploradas.

O romance entre Raquel e Salva é justamente esse ponto que transforma todo o plano em bagunça. O Professor pretendia manter a inspetora por perto, mas o amor que surgiu dali o fez perder o controle do planejamento inicial.

 


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É muito interessante notar a forma como a história vai se desenrolando. As situações são bem construídas e isso ajuda a sobressair os momentos de tensão de maneira surpreendente. Elas seguem exatamente o mesmo enredo da primeira parte, justamente por ser uma série só.

Esse talvez seja o grande problema de La Casa de Papel. Em alguns episódios, o clímax parece deslocado da trama principal, o que não acontece na versão original. Mas isso acontece só se forçar um olhar mais atento na montagem que a Netflix preparou. Caso você assista a versão produzida pela Antena 3, o enredo fechadinho pode melhorar experiência do cliffhanger de cada episódio.

 

 

O desfecho do plano, passando por cada integrante do assalto, é muito bem estruturado. As loucuras de Tokyo (Úrsula Corberó) e Rio (Miguel Herran) são bem plausíveis e o fatídico fim de Berlin (Pedro Alonso), angustiante. Nairobi (Alba Flores), uma das melhores personagens da série, tem seus ideias mudadas completamente e Denver (Jaime Lorente) e Mónica (Esther Acebo) levam a Síndrome de Estocolmo para o mundo fora sequestro.

Dentre erros e acertos, La Casa de Papel soube trabalhar bem essa linha tênue entre a revelação do Professor e sua fuga planejada. Por mais que em certos momentos, o roteiro deixasse tudo mais fácil, ele tinha a inteligência como carta na manga e essa sobressaía nas situações sendo o grande destaque de toda a série.

La Casa de Papel é um sucesso estrondoso, com sotaque espanhol e cara de novelão mexicano. Falamos um pouco disso no nosso podcast (em veja mais) e reiteramos aqui. A série é uma das gratas surpresas de 2018. Ela tem um ritmo alucinante, personagens extremamente cativantes e uma história contada de maneira fabulosa.

A minissérie, pensada apenas como uma produção fechada, tem tudo para ganhar uma segunda temporada depois de todo esse burburinho. Estamos na torcida.