AODISSEIA
Filmes

Crítica: Joy – O Nome do Sucesso


25 de janeiro de 2016 - 09:45 - felipehoffmann

Uma história de redenção que não consegue encantar

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Dezessete anos separam uma menina sonhadora, cheia de esperanças na vida, de uma mulher completamente sem aspirações na qual a própria vida lhe projetou. Parte por suas escolhas, parte pelas pessoas que a cercam. Joy sofre por ter escrito mal a sua história e usa do seu passado, as forças para se superar e crescer profissionalmente.

O drama disfarçado de comédia abusa das novelas para mostrar o protagonismo da atriz principal. Aqui, Jennifer Lawrence é conduzida para um destino de superação típico dos filmes americanos, com todo meritocracismo pertencente dessa cultura.

David O. Russel exagera nos esteriótipos de uma família de classe média baixa e erra na construção dos mesmos. Uma mãe inerte que vive assistindo novelas e esquece do mundo real; um ex-marido, cantor, morando amigavelmente no porão da ex-mulher; um pai mecânico que se junta a uma senhora rica e viúva; uma criança mentalmente adulta; a vó consciente; a irmã invejosa; a super amiga e por aí vai. São pessoas rasas que somem em atuações que não passam da linha do ok.

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Dessa vez, a fórmula Russel, Lawrence, Cooper não empolgou como deveria, contudo as melhores cenas do filme são quando os dois últimos estão juntos. A sintonia entre eles é muito forte e suas atuações conjuntas são bem legais.

Enquadrado numa categoria de comédia, Joy – O Nome do Sucesso pouco faz rir. As cenas de comédia são entregadas de bandeja para o espectador, que já espera a risada, de uma forma até sem graça.

Há de se ressaltar a construção das ideias de Joy e seu esfregão. Toda a concepção do produto, os desenhos, o protótipo e a produção são bem dinâmicas e até empolgam a ponto de pensar que agora o filme engrena. Porém a mulher que deveria crescer com as adversidades não cresce, fica miúda diante dos fatos e permanece assim mesmo quando as coisas começam a dar certo.

As cenas finais dela com visual badass se distorcem totalmente entre a neve que cai e a rebeldia de alguém que lutou tanto pra vencer. O medo do pesadelo aprisiona a protagonista numa novela com enredo mais confuso que a vida real. Jenniffer Lawrence consegue levar o filme nas costas, mas não justifica sua indicação ao Oscar.

Não espere ver um filme fantástico que vai te dar gargalhadas e fazer emocionar nos momentos de tensão. O triunfo de Joy Mangano em meio ao caos é louvável e a mensagem de redenção e crescimento profissional estão lá. Contudo, ele vai perdendo ritmo e credibilidade, tal qual as novelas de plano de fundo que fazem o filme andar. O ludismo da infância e a casa de bonecas não criam um desfecho que precisava para um filme que pretendia ser tão inspirador.