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Filmes

Critica: Jogos Vorazes: A Esperança – O Final


28 de novembro de 2015 - 13:00 - felipehoffmann

O último dos jogos

O findar de uma série de filmes é sempre esperada pelo público, ainda mais quando essa série é tida como a mais estrondosa do momento. Diferente das franquias Harry Potter e Crepúsculo, Jogos Vorazes apresenta um cenário de opressão, desigualdade e exploração, e por isso se permite ter um desenvolvimento completamente diferente de outras séries de filmes juvenis. “Jogos Vorazes: A Esperança – O Final” tem a missão de encerrar um ciclo bem-sucedido de filmes, tanto financeiramente quanto culturalmente.

O filme se inicia imediatamente após o fim da Parte 1, com uma Katniss (Jennifer Lawrence) atacada fisicamente e emocionalmente por Peeta (Josh Hutcherson). A tensa relação entre os dois dá o tom para a continuidade da história e acaba por levar a quase todos os acontecimentos do filme: o desejo de vingar Peeta mas a apreensão de ficar próximo a ele parece ser o conflito principal de Katniss. O plano de fundo da guerra entre os distritos e a capital entra em seu ápice e começa a tomar dimensões maiores que o relacionamento entre os protagonistas, confirmando que toda a franquia de Suzanne Collins não se trata meramente de um triângulo amoroso.

Para começar, o filme, enquanto uma adaptação de um livro, funciona bem (e até melhor que os dois últimos) quando tenta representar na tela o que antes foi escrito, alegrando os fãs. Para a felicidade daqueles que prezam pela voracidade dos filmes, após diversas opiniões divergentes sobre o tom da primeira parte da conclusão, em A Esperança – O Final existe um equilíbrio maior entre cenas carregadas de ação e efeitos e cenas que remetem ao conflito interior de Katniss.

Aliás, esse é um dos pontos fortes do filme. Por não estar centrado somente nos sentimentos e atitudes da protagonista, dando grande ênfase para o conflito que se estende agora pela Capital, é possível observar os personagens de forma mais crível – principalmente “O Tordo”. A protagonista, apesar de tudo o que fez, não tem controle sobre tudo, não pode lutar todas as batalhas ou vencer a guerra sozinha. Ela está no meio de um jogo, jogo que a mesma deseja acabar. O controle sobre o futuro da nação só é dado a ela no fim do conflito, no momento decisivo para a continuação ou não do autoritarismo.

As atuações são consistentes, o casal protagonista não traz nada de novo, mas Lawrence retoma aspectos turrões da personagem que fazem lembrar do primeiro filme. Novamente, o exagero é aceitável com Elizabeth Banks no papel da também exagerada Effie. Dentre os presidenciáveis, Donald Sutherland apresenta um Snow intrigante, enquanto algumas cenas da presidente Alma Coin (Julianne Moore) chegam a ser monótonas.

O filme, em si, é bom e superior ao anterior. Não existem grandes problemas de direção nem de roteiro, alguns personagens podem ter sido desvalorizados no longa, mas isso certamente não interferiu na condução da história. O fechamento da saga distópica mais badalada dos últimos anos convenceu, mas a cena final – com uma Katniss de vestido florido e com pele rosada – destoa completamente da personalidade da Srta. Everdeen.

OBS 1: A participação de Phillip Seymour Hoffmann é menor do que nos livros, mas não é prejudicada pelo uso excessivo de efeitos. Na verdade, o filme funciona como uma singela e honesta homenagem ao ator.

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