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Jason Bourne é a oportunidade perfeita de trazer Jason de volta com o retorno de toda sua equipe técnica nos bastidores


Muitas pessoas podem não gostar dos filmes de espionagem estrelados por Matt Damon e eu até entendo, mas é necessário aceitar que essa talvez seja a franquia de ação mais importante dos últimos anos. A câmera tremida, a forma como a ação é editada e o estilo de luta estabelecido lá em 2002 influenciaram muita coisa, desde Batman até James Bond.

Acompanhando a passagem de tempo real, Jason Bourne começa Jason atuando como lutador de rua na Grécia. Tudo muda quando Nick reaparece dizendo ter novas informações sobre seu passado, afinal ele nunca sabe nem vai saber de tudo. Ele logicamente vai atrás das fontes recém descobertas e acaba esbarrando em uma rede de tramas muito mais perigosa e pessoal do que as anteriores.

A abordagem ligada à vingança aproxima esse filme de A Supremacia Bourne, mas no fundo o que temos aqui é basicamente a mesma história de todos os longas anteriores. A única novidade do roteiro do diretor Paul Greengrass e do editor Christopher Rouse (responsável pela montagem de todos os trabalhos de Greengrass) está em uma suposta atualização conectada a internet, que funciona até esbarrar em subtramas fracas e cópias piratas de Julian Assange e Mark Zuckerberg.

No entanto, se esse tiro sai pela culatra, todo o resto funciona muito bem. Mesmo sem jogadas que reinventem a roda, o roteiro de Jason Bourne consegue se desenvolver muito bem, prender a atenção do espectador, conectar todas as tramas sem precisar ser muito didático, amarrar todas as pontas soltas e criar várias reviravoltas seguidas. Greengrass e Rouse guardam várias pequenas surpresas e não decepcionam o público com as resoluções encontradas.

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O elenco inteiro responde muito bem ao que é sugerido pelo texto e ajudam na fluidez da trama, incluindo o pouco importante Riz Ahmed (um dos protagonistas de Rogue One). Matt Damon está em forma e mostra que conhece o personagem como poucos ao desabafar na base da porrada, Tommy Lee Jones passa toda a ameaça necessária para ser o contraponto do protagonista, Vincent Cassell não decepciona como o rival pessoal e Alicia Vikander (vencedora do Oscar por A Garota Dinamarquesa) chega pra ficar com uma personagem inteligente e cheia de nuances decisivos para a história.

Mas é claro que a direção iria ser o grande destaque de um longa em que seu protagonista fala apenas 25 frases em duas horas de duração. Como também já era esperado, Paul Greengrass traz de volta todas as características que marcaram sua participação na franquia, incluindo a câmera na mão, a proximidade quase documental, o zoom brusco e aquela filmagem de ação mais realista e pé no chão, que só escorrega em uma pequena cena de queda. Pode acreditar que é muito legal sair da sala pensando em como cada luta pode ser tão verdadeira.

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Além disso, o diretor acerta em cheio nas tentativas de deixar a franquia maior, resultado em duas cenas de perseguição que deixam o espectador sem nenhuma unha. Ele comprova o poder do seu jogo de câmera e seu controle do set ao manter a intensidade lá em cima durante toda a cena de abertura, que deve ter aproximadamente 30 minutos, e fechar uma avenida em Vegas com explosões e carros voando. São eventos nunca vistos na franquia Bourne e que, possivelmente, valem o ingresso para aqueles que gostam de cenas de ação grandiosas.

O resultado é um longa intenso, divertido e cheio de ação que traz de volta tudo aquilo que foi responsável por marcar a franquia na história do cinema. A falta de novidades e o excesso de subtramas inúteis acabam atrapalham um pouquinho da experiência, mas Jason Bourne certamente vai agradar os fãs do bom cinema de ação com seus momentos imponentes e reviravoltas grandiosas. Meu favorito ainda é O Ultimato Bourne, mas esse novo filme garantiu seu lugarzinho no meu coração.


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Jason Bourne

7.5

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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