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A beleza e sensibilidade do primeiro filme de Lesoto na Mostra, “Isso Não É Um Enterro, É Uma Ressurreição” está disposto a quebrar barreiras


O que se pode pensar logo de cara ao ver um filme de Lesoto (país não muito conhecido do continente africano), infelizmente, é uma pobreza estética. Esse preconceito é quebrado nos primeiros minutos de “Isso Não É um Enterro, É Uma Ressurreição”, pois a produção em nada deve a outras no quesito beleza, e muito menos em conteúdo.

Nas montanhas do Lesoto, uma viúva de 80 anos chamada Mantoa aguarda ansiosamente o retorno do filho, que trabalha nas minas da África do Sul, quando recebe a notícia de sua morte. Ávida pelo próprio fim após a perda do último membro remanescente da família, ela coloca seus negócios em ordem e toma providências para ser enterrada no cemitério local.

Seus planos são repentinamente perturbados pela notícia de que as autoridades pretendem inundar toda a região para construir uma barragem para um reservatório e, por consequência, reassentar a aldeia onde ela vive. Mantoa, então, resolve defender o patrimônio espiritual da comunidade.

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isso não é um enterro

Isso Não É Um Enterro, É Uma Ressurreição // Foto: Divulgação

O primeiro longa de ficção de Lemohang Jeremiah Mosese é um filme sobre resiliência. O diretor põe a atriz Mary Twala (infelizmente já falecida), como centro de sua história. Montoa está disposta a enfrentar sua última batalha. É quase uma luta solitária, ao mesmo tempo em que é rica, cultural e regionalmente falando.

Através da imagem, Mosese mostra que há beleza naquele estilo de vida, mesmo que a “evolução” natural/antinatural das coisas, o condene. Não existe vergonha, muito menos amarrações que impeçam a protagonista de ser quem é e lutar por aquilo que acredita, ou até mesmo dançar sozinha (sozinha?).

“Os mortos enterram seus próprios mortos”

Isso Não É Um Enterro, É Uma Ressurreição // Foto: Divulgação

É como se a realidade sumisse perante os olhos de Montoa, e ela apenas visse a luta, o chamado da natureza que entrelaça vivos e mortos em uma trama lenta, difícil, mas condizente com seu desejo de se juntar as raízes da ancestralidade. A linha tênue entre vida e morte parece cada vez mais fina, e aos poucos, sua determinação se torna a deliberação de toda uma comunidade.

“Isso Não É um Enterro, É Uma Ressurreição” fala de resistência, mas também de existência. Um propósito, tornando a luta pelo progresso algo que vai além da nostalgia e apego pelos costumes, tornando-a humana.


Filme visto na 44ª Mostra de São Paulo. Saiba mais sobre o evento AQUI.

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Isso Não É Um Enterro, É Uma Ressurreição

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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