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Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio | Quebrando a fórmula

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Terceiro filme da franquia de sucesso, Invocação do Mal 3 muda tudo, menos o amor de Ed e Lorraine Warren


Quando era criança e frequentava uma igreja cristã, presenciei alguns rituais de exorcismo. Claro que, esse não era o nome dado, e hoje o que se vê na TV na maioria das vezes é apenas um circo. Lembro que aquelas imagens nunca saíram na minha cabeça, pois definitivamente não é algo bonito, ao mesmo tempo em que o pastor afirmava que era precisa estar “em santidade” para presenciar esses momentos, já que o demônio poderia passar do corpo do possuído para o seu, caso vivesse em pecado.

De certa forma, esse ensinamento foi importante, e me ajudou a embarcar bastante em “Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio”, terceiro filme da franquia criada por James Wan, e o oitavo desse universo tão vasto, mas desgastado pelos imitadores e amigos do diretor em outros filmes.

Foto: Divulgação

Qual a trama de Invocação do Mal 3?

Aqui, os investigadores de atividades paranormais Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga), vão vasculhar a história de um assassinato envolvendo possessão. 

O longa é baseado na morte por esfaqueamento do tratador de cães Alan Bono em fevereiro de 1981, na cidade americana de Brookfield, que há décadas não presenciava um homicídio. O crime foi cometido por Arne Cheyenne Jhonson (interpretado por Ruairi O’Connor), jovem de 19 anos que se tornou o primeiro réu norte-americano a se defender de uma acusação alegando estar possuído pelo demônio.

Curiosamente, Johnson esteve presente no exorcismo de David Glatzel (Julian Hilliard), um garoto de 11 anos – no qual os Warren também estavam envolvidos.

Foto: Divulgação

O que achamos do filme?

É surpreendente que mesmo sem James Wan, idealizador de todo esse universo, o filme dirigido por Michael Chaves (“A Maldição da Chorona”), com o roteiro de David Leslie Johnson-McGoldrick (de “Invocação do Mal 2”) seja o mais competente, tecnicamente falando.

Talvez isso se deva ao fato de estarmos diante de uma história mais terrena, em todos os sentidos. O fator humano é muito presente neste terceiro filme, seja pelo fato da lei estar envolvida em um caso (diferentemente dos 2 primeiros), ou pela figura vilanesca (nada comparada a Bathsheba e Valak), mas igualmente assustadora.

Falando em sustos, muitas pessoas afirmam que esta produção não dá tanto medo quanto os filmes anteriores. Ledo engano. Invocação do Mal 3 pode até pecar na dosagem e distribuição destas cenas, mas elas continuam aterrorizantes. De certo forma eu entendo, nada mais assustador que ser brasileiro em 2021.

Entretanto, mesmo com a questão mais humana, a emoção é inferior aos longas anteriores da franquia, que trazia duas famílias carismáticas no centro da ação. Nesta obra, o foco está em Ed e Lorraine, e em sua relação que quebra barreiras. Somos brindados com flashbacks da juventude do casal, o que torna essa produção tardia, já que ambos se tornaram maiores do que seus próprios casos. Tanto os originais, como os vividos por Vera Farmiga e Patrick Wilson.

Foto: Divulgação

A dupla continua impecável, desta vez com uma entrega mais física do que o normal, auxiliada pela movimentação dinâmica entre roteiro e direção, que sai do ambiente “casa mal assombrada”, para o mal quase que literalmente, espalhado por todos os lugares, tornando-o imprevisível.

A fotografia de Michael Burgess (“Annabelle 3: De Volta Para Casa“) é o que mais se destaca em comparação aos filmes anteriores, por unir as lentes quentes do primeiro, com o frio londrino no segundo. A cena final inclusive é um deleite, seja pela tensão criada, mas principalmente pela simplicidade.

“Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio” pode sim estar abaixo dos filmes anteriores, focando mais na investigação do que na construção de cenas memoráveis (a brincadeira das crianças no primeiro, e Ed tocando Elvis no segundo, continuam irretocáveis), mas também tem seus bons momentos (o início e a cena do necrotério) arrepiam.

Além disso, continua nos fazendo amar infinitamente o casal de demonologistas, algo que, diferentemente da fórmula, parece que nunca vai mudar.


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