AODISSEIA
Filmes

Crítica: Inferno


17 de outubro de 2016 - 11:00 - Flávio Pizzol

Uma ótima adaptação e um suspense razoável


infernoposter15setembroDan Brown não é nenhum Bob Dylan, mas encontrou sua fórmula do sucesso com uma mistura entre quebra-cabeças, suspense policial e guia turístico. Da mesma forma, as adaptações de Código da Vinci e Anjos e Demônios para o cinema podem ser consideradas grandes sucessos após arrecadarem 1,2 bilhão de dólares juntas. O retorno de Robert Langdon ao cinema era inevitável e, após pularem o complexo O Símbolo Perdido, a galera de Tom Hanks e Ron Howard nos apresenta Inferno.

Como o próprio nome já entrega, a história do livro usa um dos textos mais conhecidos de Dante Alighieri como ponto de partida para a nova aventura de Robert Langdon (Tom Hanks), que entra na história após acordar em um hospital na cidade de Florença sem memória. Sua missão – como sempre – é descobrir todas as pistas e decidir em quem confiar, enquanto atravessa a Europa em busca de um vírus que pode matar mais da metade da população mundial.

O roteiro de David Koepp (Homem-Aranha, Missão: Impossível e Jurassic Park) parte, logicamente, dessa mesma premissa e entrega a melhor adaptação dos livros de Dan Brown feita até aqui. Todas as pistas estão idênticas, as diversas reviravoltas são reveladas na hora certa e até a discussão (não tão atual) sobre as consequências do crescimento populacional. Talvez esse seja o único ponto que o material original explora com mais atenção para gerar uma dubiedade entre herói e vilão, mas os leitores com certeza vão sentir como se estivessem relendo o livro durante a projeção.

O visual conta com o talento e experiência de Ron Howard (Rush: No Limite da Emoção) na direção e também não decepciona. Ele sabe ditar um ritmo relativamente interessante para o desenvolvimento, acerta em cheio no estilo das divagações que Langdon tem nos primeiros minutos e o fato de filmar quase tudo nos locais reais cumpre com a cota turística dos livros. Você já pode sair do cinema e ir direto para a Europa, levando uma aula de história da arte na bagagem e usando as belíssimas cenas de Howard para preparar o seu roteiro.

Apesar das cenas serem claramente mais aceleradas do que nos longas anteriores, Inferno acaba não funcionando como um filme da ação, nem como o suspense eletrizante que gostaria de ser. Os dois primeiros atos não chegam a dar sono, mas são um pouco cansativos e não possuem a urgência necessária, sendo que nunca parece que o tempo está realmente acabando ou que oos protagonistas estão correndo perigo. Para exemplificar, o que falta ao todo é justamente o imediatismo que a perseguição final no Palácio Afundado consegue reproduzir com perfeição.

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As atuações também estão completamente automáticas, seguindo com rigor todos os clichês de filmes de suspense que já foram utilizados nos longas anteriores. Tom Hanks é o mesmo Robert Langdon de sempre, o bilionário de Ben Foster (O Grande Herói) está idêntico ao seu vilão em Warcraft, Omar Sy (Intocáveis) não tem grandes momentos e a sempre bela Felicity Jones (a estrela do esperado Rogue One) opta por fazer o simples, então o destaque acaba ficando com Irrfan Khan (Jurassic World) e uma adaptação interessante do meu personagem favorito no livro.

O resultado é um filme mediano que escorrega na hora de prender o espectador em um suspense realmente ameaçador e se perde na repetição muitos elementos dos longas anteriores. Talvez seja um sinal de que as histórias de Dan Brown precisam de uma reinvenção urgente. Apesar de tudo isso, Inferno cumpre boa parte da sua função como filme-pipoca e deve matar a vontade dos fãs de ambas as mídias até o lançamento do novo livro, Origem, em setembro de 2017.


OBS 1: Eu fiquei muito surpreso com a felicidade do elenco durante todas as entrevistas. Foi a confirmação de que eles estão satisfeitos com o resultado e que Tom Hanks é a melhor pessoa do universo.

OBS 2: Será que o nome do novo livro indica alguma história no passado de Robert Langdon? Será que Dan Brown também vai se entregar a modinha dos prequels?


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