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Pegue um pouco da premissa de Lucy (2014), misture alguns conceitos de Mr. Robot, um visual parecido com o jogo Watch Dogs, uma abertura estilo Black Mirror (aliás parece que estamos vendo um piloto de série) e pronto, temos o novo filme britânico original da Netflix. Lançado na última sexta-feira (27/01), Iboy foi vendido como o filme de super-heróis da Netflix. A história pede uma suspensão de descrença realmente digna de filmes de heróis, o que não atrapalha a condução do longa.

Conhecemos Tom, um rapaz tímido que tem uma queda por um garota da sua sala, Lucy (seria uma referência?). Um dia ele vai visitá-la e encontra agressores mascarados em sua casa, desesperado, ele corre com seu celular, tentando ligar para a polícia, com os agressores em em seu encalço. Quando é baleado, fica em coma por 10 dias e descobre que fragmentos do seu celular ficaram no seu cérebro.

Cabe a ele descobrir mais sobre o que aconteceu, já que com isso Tom ganha uma série de super poderes ligados a tecnologia, e se torna um super-herói (ou um super-hacker), escolhe seu nome (Iboy) e está disposta a encontrar os tais agressores. A direção de Adam Randall (Level Up) ousa em alguns movimentos de câmera, trazendo um tom noir ao filme, escuro e sempre cheio de neon. Aliás visualmente, Iboy é excelente ao mostrar todos os acessos do garoto, seja para hackear simples celulares, até sistemas de banco e câmeras de vigilância aérea.

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No começo pensamos que todo seu poder é limitado, algo que vai mudando no decorrer do tempo, conforme o jovem aprende mais sobre tudo. Uma das vantagens da produção, é nos fazer sentir medo do que pode acontecer a todo instante com o protagonista. Sim, ele tem poderes e sabe tudo de tecnologia, mas seus inimigos são gângsters, usam armas e sabem lutar, algo que o jovem Tom precisa aprender e rápido (uma das melhores cenas brinca com esse conceito e acaba uma luta rapidamente).

Tom – vivido por Bill Milner (o jovem Magneto de X-Men: Primeira Classe) – entrega uma atuação sutil, mas cheia de ódio e desejo de vingança. O jovem é carismático no seu jeito e em uma cena específica ganha a simpatia do público. Já Maisie Williams (a Arya de Game of Thrones) não tem muito material para mostrar o que sabe, porém seus poucos momentos mostram que ela pode ir além da série. O foco aqui está no garoto, no seu convívio familiar, seus medos e sua inteligência nos momentos em que falta a experiência.

Infelizmente o último ato tem um barriga enorme e é como se víssemos um filme dentro do outro. Os 90 minutos de produção parecem aumentar na meia hora final, e a chegada de uma nova figura vilanesca, acaba por trazer novas origens e significados para o que tínhamos visto até então. Nem a presença do ótimo Rory Kinnear (Penny Dreadful) salva um final que poderia ficar na tecnologia e seus perigos, mas prefere ir pro lado mais heroico e explorar o batido “donzela em perigo”.

Escrito por Joe Barton, baseado na obra de Kevin Brooks, Iboy explora conceitos e defeitos da juventude atual, seja ela da Inglaterra ou até mesmo do nosso país. Tem decisões sábias de roteiro e é visualmente esplêndido, apesar de ir pra um lado mais preguiçoso em seu fim. É um bom filme de super herói, e pode parecer pleonasmo, mas é um bom filme da Netflix.

 

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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