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Sucesso de público e crítica em seu primeiro ano, HTGAWM (para os preguiçosos), tornou-se em 2015, ao lado de Sense 8, umas das melhores séries envolvendo mistérios, relacionamentos homoafetivos e quebra de preconceitos raciais, já que temos personagens centrais negros, começando pela protagonista. Para tal sucesso se repetir, não era algo difícil, já que terminamos com um gancho que nos fez esperar meses para saber: “O que aconteceu com Rebecca?” Ao mesmo tempo, o que trazer de novo?

Devemos ressaltar que em sua temporada de estreia, HTGAWM foi novidade, com mistérios e reviravoltas a cada episódio, sendo necessário prestar atenção a cada detalhe, por muitas vezes sendo necessário voltar a fita literalmente. Temos isso tudo neste 2º ano, só que pasmem: melhor. Personagens evoluem, surgem novos personagens interessantes, coadjuvantes ganham destaque e flashbacks ajudam na construção de tudo isso.

 

– Caso Rebecca

Como sabemos Rebecca (Katie Findlay) foi morta no fim da temporada passada deixando a pergunta, afinal quem a matou? Algo que nos é revelado logo de cara, no primeiro episódio. Não houve qualquer tensão, a não ser no fim do episódio com uma conversa entre Annalise (Viola Davis) e Bonnie (Liza Weil) que diz muito sobre as personagens. Afim de resolver o mistério, Wes (Alfred Enoch), uni-se a Levi (Matt Cohen) meio-irmão de Rebecca, para descobrir quem a matou.

O plot é totalmente desnecessário, inroduzindo um personagem ruim, com atuação mediana. Desnecessário porque, o público (que interessa de fato), já sabe quem matou Rebecca, desde então passamos a ver dois idiotas (Wes e Levi), caindo em todas as armadilhas que Annalise e seu fiel escudeiro Frank (Charlie Weber) os fazem passar. Ainda bem que isso dura apenas os 6 episódios inicias.

 

Casos da Semana

Na temporada passada, além da história inicial, tivemos os casos da semana, que corriam junto com a história principal e ao mesmo tempo fazia os personagens cresceram em experiência.

Essa ano eles aparecem também, uns mais interessantes que outros, com destaque para um caso que trata de representatividade, e toca na ferida homofóbica. Em compensação temos outro no episódio 7 que fala sobre traição, totalmente desnecessário. Ficamos esperando o caso acabar, focar na história principal (mal comparando com um flashback de Arrow, que você torce pra terminar logo).

A história paralela que mais chama atenção é a de Nate (Billy Brown), acusado de ter matado Sam Keating (Tom Verica), marido de Annalise na temporada passada, sendo a mesma acusada diretamente como cúmplice do crime, já que ela e Nate tem um caso. Como Annalise não pode defender Nate, entra em cena Eve Rothlo (Famke Janssen), uma das melhores coisas dessa temporada, bem construída e com uma passado obscuro e sensual com Annalise, Eve é o contraponto necessário a série, por vezes roubando o protagonismo.

Nate é outro personagem em evolução, de mero coadjuvante na temporada passada, ele tem dois núcleos importantes na trama, um deles envolvendo sua mulher e Annalise, em cenas de emocionar até os corações mais duros.

 

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Caso Principal: Os Hapstall

Somos apresentados ao caso desde o início, mas a partir do episódio 8 ele se torna mais presente. O casal de irmãos Caleb (Kendrick Sampson) e Catherine Hapstall (Amy Okuda) são acusados de matar os pais a sangue frio para ficar com a herança, ambos são adotados, e fazem parte de minorias nos EUA, ele negro e ela asiática, fazendo com que sua própria tia preconceituosa suspeite de que eles foram os assassinos. Para piorar os dois tem uma relação incestuosa e são os únicos suspeitos do assassinato.

Cabe a Annalise e seu time Wes, Connor (Jack Falahee), Laurel (Karla Souza), Michaela (Aja Naomi King) e Asher (Matt McGorry) descobrirem o que de fato aconteceu. Caleb e Catherine são enigmáticos, uma hora a audiência acredita em ambos, mais sempre algo nos supreeende e grita que eles são culpados. Até que a genialidade de Annalise e sua equipe é posta a prova e eles se perguntam:

“Como livrar os dois únicos suspeitos?” Fácil, adicionando um terceiro. Então Philip Jessup (Jefferson White) entra em cena, filho adotivo da tia dos irmãos Hapstall, Philip é um rapaz solitário e se sente rejeitado, e o único qual a herança iria se todos morressem, se tornando o principal suspeito para o time de Annalise.

Em meio a investigação, o time todo vai bem e ajuda de alguma forma, até Asher que ficou apagado na temporada anterior, ganha força nesse ano. Os ângulos de camêra tem papel importante na série, omitindo algumas frases e takes que fariam total diferença na narrativa, tendo o tradicional flashforward que se passa 2 meses depois da narrativa principal, mais uma vez a noite e com fotografia escura e trilha envolvente, o que ajuda na tensão.

 

Bonnie, Asher e Relacionamentos

Os relacionamentos ganham força maior nesta temporada, praticamente todos os personagens se relacionam de alguma forma, seja amorosa ou sexualmente, sexo álias que esteve presente em boa parte da 1ª temporada e é importante nessa por sempre ter um propósito, nunca é sexo por sexo, o que causa estranheza em casais que não tem quimica nenhuma (vulgo Wes e Laurel).

Há uma cena no episódio 8 inclusive que lembra a cena da banheira em Sense 8, mas menos intensa. O casal mais sem graça que fica com o trófeu de Annalise (sim, foi uma easter egg), é Bonnie e Asher, dois personagens desinteressantes, ele com piadas sem graça e ela sempre apática. Bonnie, que ganha uma história paralela, chega a crescer em certos momentos e até explode em algumas cenas, mas acaba voltando ao estágio inicial.

Já Asher tem um crescimento maior, em uma história envolvendo seu passado, do qual é acusado como cúmplice de um estupro da jovem Tiffany Howard, além de ter o pai, um juiz corrupto sendo investigado. O crescimento de ambos destaca a promotora Emily Sinclair (Sarah Burns, em atuação memorável), fazendo aquele personagem que você ama odiar, pois ela é a promotora em todos os casos relevantes, o mais próximo que temos de uma vilã nessa temporada, se é que isso é possível em uma série recheada de camadas.

 

HOW TO GET AWAY WITH MURDER - "Meet Bonnie" - Asher discovers not everything is what it seems when you work for Annalise. Meanwhile, Frank is presented with a situation that hits close to home, and Wes' search to find out more about Rebecca's disappearance culminates into an explosive confrontation, on "How to Get Away with Murder," THURSDAY, OCTOBER 22 (10:00-11:00 p.m., ET) on the ABC Television Network. (ABC/Mitch Haaseth) ALFRED ENOCH, MATT COHEN, KARLA SOUZA (OBSCURED), JACK FALAHEE, AJA NAOMI KING

 

Passado de Wes Gibbins e Caso Mahoney

Desde o episódio inicial, pistas de coisas que iam estar em toda a temporada foram dadas, afinal, estamos acompanhando uma série de mistérios e revelações que a cada episódio nos deixam boquiabertos. Já no episódio 1, Frank cita a mãe de Wes, afirmando que o mesmo pode tê-la matado.

No episódio 6, Annalise cita o caso Mahoney, informando que ele foi arquivado, já que a testemunha principal morreu. Descobrimos depois que a tal testemunha morta era a mãe de Wes, Rose Edmond (Kelsey Scott) e que a advogada do caso era Annalise, o que liga os dois personagens de uma forma nada forçada e espetacular. Para entendermos melhor, a série nos brinda com flashbacks de 10 anos atrás, algo inédito até então.

Além de ver que Annalise era bem mais dócil do que é hoje, temos a volta de Sam (Tom Verica em ótima atuação), e aparições de Frank e Bonnie logo no início da parceria, ambos bem diferentes das personas que conhecemos, o que levanta a questão “A vida, as circunstâncias ou Annalise os mudou tanto assim?” Talvez os três.

Mas a história que mais chama antenção é a de Wes, sendo revelada na reta final, fim do episódio 9 pra ser exato, Wes sabe que Annalise conhecia sua mãe e descobrimos que ele se chamava Christophe Edmond, o ator e personagem por muitos considerado chato, consegue ganhar destaque de tal forma, que a história o envolve, pouco importando para quem seria tal roteiro criativo. A ligação com o caso Mahoney, que acaba se tornando triste e surpreendente com a revelação de quem seria o pai de Wes é chocante.

A rápida aparição de Wallace Mahoney (Adam Arkin) é gratificante, pois o vemos contracenar com Viola Davis, ambos dando um show na TV. Laurel, tem papel crucial nessa fase, pois ao lado de Wes, vai em busca de saber, o que aconteceu com a mãe dele, se ela se suicidou ou foi assassinada, se Wes a matou, ou se há uma terceira pessoa. Comecei a gostar mais da personagem que parecia fútil de antemão, algo que ocorre também com Michaela.

 

HOW TO GET AWAY WITH MURDER - "What Happened to You, Annalise?" - A few weeks have passed since Wes shot Annalise. Wes and The Keating 5 deal with the fallout from that night, as Annalise is faced with a complicated road to recovery on "How to Get Away with Murder," THURSDAY FEBRUARY 11 (10:00-11:00 p.m. EST) on the ABC Television Network. (ABC/Gilles Mingasson) ALFRED ENOCH, KARLA SOUZA

 

– Viola Davis está para Annalise Keating…

Vencedora de vários prêmios em 2015 pela personagem incrível, Viola Davis volta com o mesmo gás da temporada anterior. Ela é uma mulher forte, mas vulnerável, como vimos na temporada passada no episódio em que sua mãe vai visitá-la (um dos melhores da série). Nesta temporada, esqueça a mulher determinada que você viu anteriormente, sim, ela ainda está lá, mas não todo o tempo. Na primeira parte Annalise se mostra comum, capaz de festejar, beber, ficar de ressaca e se permite ser uma mulher cheia de defeitos.

Na segunda metade da temporada, com o flashback, somos apresentados a uma Annalise mais flexível, e ainda por cima grávida, o que a torna mais sensível. Campos ainda não explorados da personagem foram expostos. No episódio 14, Viola Davis nos dá uma atuação digna de Emmy, em uma cena que diz muito sobre o porque dela ter se tornado essa mulher amarga e as vezes sem vida. Viola traduz a personagem em uma de suas frases memoráveis, ela é questionada com um: “Como você consegue dormir a noite?” Anne diz: “Sozinha, com lençóis confortáveis…e gosto de vodka cara.”

 

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3ª Temporada vem aí

Renovada mesmo antes de acabar sua 2ª Temporada, How To Get Away With Murder está sempre em busca do absurdo. É incrível a maneira que os roteiristas tem de beirar o impensável e na maioria das vezes isso funcionar. São mortes, traições inesperadas, viradas de jogo a favor de alguém, uma sempre tentando superar a outra, o que faz desta temporada superior a primeira.

Destaco aqui o episódio 9, que foi exibido antes da pausa do fim de ano, é praticamente uma season finale, ganhando o posto de um dos melhores episódios da série, pois tem um tensão constante, auxiliada pela trilha sonora agonizante.

O que destoa dessa loucura é a season finale, em que surpreendentemente somos apresentados a família de Anne. Podemos nos deleitar com a volta de Ophelia Harkness (Cicely Tyson) mãe de Anna Mae (nome verdadeiro de Annalise) com seu jeito descontraído, auxiliando Anne em meio há turbulência que é sua vida. O pai de Anne aparece, para o desespero da protagonista, que mantém seu desprezo por tudo o que ele fez, já revelado na 1ª temporada.

Ao fim, a revelação do assassino pouco interessa e pouco surpreende, sendo que isso fica guardado para uma revelação do passado e os segundos finais são de emocionar e tirar o fôlego. Focar em Anne na reta final se mostra um acerto e nos faz pensar, afinal, todos precisam ser salvos de Annalise ou o contrário?

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How to Get Away With Murder

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

Ai ai essa Floresta Maldita ein

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1 Comment

  1. […] início desse ano escrevi a crítica da 2ª temporada de How to Get Away With Murder, e por se tratar de uma série de camadas e mais camadas, com um texto poderoso e ao mesmo tempo […]

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