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Escrito, filmado e editado inteiramente na quarentena, “Host” se utiliza dos nossos medos atuais e antigos, para assustar com eficiência


O found footage é um dos sub-gêneros que mais sabe se reinventar. No terror então, isso tem se tornado quase que uma obrigação, se o filme deseja chamar a atenção. Desde “A Bruxa de Blair”, passando pela franquia “Atividade Paranormal” e o mais recente “A Visita”, o estilo tem se modificado e vem se adequando a época.

“Host” segue esse caminho e vai além, ao trilhar os mesmos passos do terror “Amizade Desfeita” e do suspense “Buscando”, (chamado por alguns de “browser horror”), desta vez não por mero vigor e escolha estética. Para muitos que não lembram, estamos no meio de uma pandemia, e o diretor Rob Savage filma sua produção aterrorizante de forma remota, com iluminação e câmeras dependendo de seus próprios atores.

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Qual a trama do filme?

Uma escolha arriscada? Sem dúvida, mas não menos interessante. Na trama Haley e mais 5 amigos decidem fazer uma sessão espírita com uma médium, para matar um pouco o tédio da quarentena. Entre conexões caindo e voltando, eles acabam liberando um espírito maligno que promete caça-los um a um.

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O ponto chave está no roteiro bem desenvolvido de Gemma Hurley, Jed Shepherd e do próprio Savage. Em menos de 1 hora (coincidentemente a duração de uma chamada gratuita no Zoom), “Host” tem diálogos naturais e verossímeis a nossa realidade. Mais do que isso, a nossa nova realidade, erroneamente chamada de “o novo normal”. A relação entre os amigos não precisa de background e linhas de diálogo rápidos resolvem facilmente a ligação e intimidade entre eles.

No terror, é quase que essencial se importar com os indivíduos em questão e em “Host” os sentimentos são mistos. A condução do suspense e a criação da tensão se dá de maneira orgânica, ao mesmo tempo em que a direção usa dos recursos tecnológicos da melhor forma possível, desde filtros a planos de fundo, celulares a polaroids, unindo o novo, ao antigo.

Mas e aí, “Host” vale a pena?

Essa união entre a nova geração, e o passado que deve ser respeitado, dá ares de novidade a uma trama que usa muito da imaginação para funcionar. Não quero dar spoilers, e se puder nem assista ou leia nada sobre o filme antes, mas os conceitos apresentados no terror são atuais e meramente plausíveis.

Este “terror social” que permeia o nosso dia a dia é tratado com cuidado aos detalhes, e apesar de ter um pé (ou um corpo inteiro) no sobrenatural, o filme faz correlações assertivas quando aborda o distanciamento. De certa forma a história nos assusta, mas o momento recente também é apavorante.

Moderno, até os créditos finais são inventivos, e os atores possuem os mesmo nomes do personagens, a fim de trazer veracidade a história. Se a realidade não te assusta, com certeza “Host”irá!


“Host” está disponível no Shudder, plataforma de streaming focada em terror, infelizmente ainda não disponível no Brasil

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Host (2020)

9.5

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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