AODISSEIA
Filmes

Crítica: Han Solo – Uma História Star Wars

Uma boa aventura isolada e irrelevante para um universo maior.

26 de Maio de 2018 - 20:22 - Tiago Soares

Desde seu anúncio, o filme de origem de Han Solo é cercado de desconfiança, seja dos fãs mais xiitas ou daqueles que de fato tinham razão para desconfiar. Mudança de diretor, falta de fé na atuação do protagonista, trailer lançado tardiamente (se comparado aos outros filmes da saga) e quando veio, não agradou a maior parte do público.

Recentemente, dezembro tem sido o mês de Star Wars. E lançar Han Solo fora dessa época é um risco. Por mais que venha com a marca “Star Wars” em seu título, filmes como Vingadores: Guerra Infinita e Deadpool 2 ainda estão levando multidões as bilheterias. Justificativas e componentes externos à parte, o que se vê em Han Solo: Uma História Star Wars é um filme menor, que deseja assumir uma posição de destaque numa franquia, falhando miseravelmente no processo.

A todo momento, o filme quer mostrar que pode ser importante, respondendo perguntas que nunca foram feitas, como: a forma que Han conheceu Chewie, como adotou o estilo malandro ou de onde surgiu a amizade/rivalidade com Lando. O filme está mais preocupado em explicar o porque as coisas são como são, do que apresentar uma história envolvente.

Não é uma tarefa fácil se tratando de um prequel, aonde se sabe que muitos personagens ainda estão vivos até hoje, e é aí em que Han Solo encontra sua força. Os personagens são a melhor coisa do filme. Alden Ehrenreich é Han Solo – depois de Harrison Ford claro – mas comparações não cabem aqui, já que não queríamos um imitador e sim alguém que trouxesse a essência do piloto que fez o percurso de Kessel em menos de 12 parsecs.

Donald Glover é um Lando Calrissian charmoso, envolvente e seguro, trazendo todo a pompa e capas (um armário cheio delas) para a produção. O Chewbacca de Joonas Suotamo é a alma da produção, enquanto os novos personagens de Thandie Newton e Jon Favreau são subaproveitados. O destaque mesmo fica por conta de duas mulheres que roubam a cena.

Emilia Clarke com sua Qi’ra e Phoebe Waller-Bridge como o dróide L3-37 (aliás é bom ver como os dróides tem evoluído no Universo Star Wars). A primeira, traz beleza, confiança e leveza, na melhor atuação da atriz até aqui. Talvez por ser um personagem totalmente original e construído do zero, Emilia tenha tido a total liberdade de criar para si algo relevante. Já L3 é cercada de crítica social, comentários atuais sobre inclusão e caminha na linha tênue entre deixar sua persona chata ou inconveniente, mas contorna tudo isso com muito bom humor.

O mentor Beckett (Woody Harrelson) é o que Han Solo se tornou e o Dryden Vos de Paul Bettany é unidimensional demais para ser chamado de um bom vilão. Han Solo caminha bem como uma aventura isolada, mas erra ao encher o filme de fan services, que não possuem motivos aparentes para estarem ali, não servindo a trama como era de se esperar.

Em Rogue One, primeiro derivado (se você não considerar o especial de Natal e Caravana da Coragem), o service existe a favor de uma história que era maior que seus personagens. Aqui temos personagens melhores e maiores, mas uma história fraca, com diálogos que repetem de forma indireta “Olha, isso aqui é Star Wars viu?!

A boa direção de Ron Howard se apequena mediante a referências forçadas, seja visualmente ou na trilha sonora, que tenta emular forçadamente um inspirado John Williams. Enquanto caminhava para um aventura despretensiosa, e funcionava quase que como um disclaimer de um mundo dominado pelo Império, Han Solo ia bem. Quando passa a englobar o todo – o que fica é um enredo mediano – recheado de boas cenas de ação, mas que está bem abaixo de tudo aquilo que foi apresentado nessa “nova era” de Star Wars.


Spoilers abaixo, se não viu o filme, leia por sua conta e risco.

Para comprovar tudo que foi dito acima, a aparição desnecessária e holográfica de Darth Maul pode abrir boas possibilidades para um provável filme de Obi Wan Kenobi, mas ele ligar o sabre sem nenhum motivo aparente, me fez rir de desgosto.