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Guerra Mundial Z é o filme de zumbis mais caro da história. Não por ter um grande elenco ou muitos efeitos especiais (até tem muitos efeitos, mas nenhum é grandioso a ponto de justificar o orçamento do filme), mas por ter tido uma produção extremamente problemática. O filme foi reescrito diversas vezes durante a produção, seu terceiro ato foi totalmente regravado após a conclusão das filmagens e seu lançamento foi adiado pelo menos umas três vezes. Ainda assim, Guerra Mundial Z funciona e diverte.

O filme é baseado no livro de mesmo nome escrito por Max Brooks, mas modifica formato de história oral usado no livro para facilitar a adaptação. No fim das contas, pouco do livro é usado no filme. A história segue Gerry Lane, um ex-investigador da ONU que foi salvo para ajudar a organização a achar a cura para a epidemia que tomou o mundo. Mas Gerry só participa da missão para manter sua família  no seguro porta-aviões da ONU.

Os zumbis são os antagonistas do filme, mas Guerra Mundial Z foi feito para ser um filme de ação e não um filme de terror, como os do homenageado George Romero. O filme troca a violência e o sangue por uma tensão contínua, que deixa o filme perto de ser um suspense. Isso não é um problema, mas um filme de zumbi tem que ter violência. A violência amplia a sensação de terror causada pelos monstros.

Falando nos zumbis… Eles não dão medo e nem são nojentos, mas a velocidade dos monstros chama a atenção. Parece até que eles estão disputando os últimos recursos da Terra (de certa maneira eles estão, já que os homens estavam acabando). As cenas onde as grandes massas de zumbis são mostradas virando um ônibus ou escalando um muro são simplesmente sensacionais.

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O roteiro, apesar de picotado pela grande quantidade de revisões e alterações, é aceitável. Não é genial, mas não gera nenhum problema para o filme. Sem contar que as mudanças consertam o filme. O terceiro ato é tenso e encaixa muito bem no filme. O final original – que foi liberado na internet essa semana – fugia completamente da ideia geral do filme.

Outra coisa que me chamou a atenção, foi a maneira como os estilos distintos dos roteiristas se encaixam bem no filme.  A mistura entre o terror de Drew Goddard, a abordagem política de Matthew Michael Carnahan e a ficção de Damon Lindelof fazem com que Guerra Mundial Z seja um filme diferente. Inclusive, o filme não se prende um único gênero. Guerra Mundial Z pode ser ao mesmo tempo um drama familiar, um filme de ação, um filme catástrofe e um thriller. Infelizmente, fica faltando um pouco mais de terror, que só aparece em uns dois bons sustos melhorados pelo 3D.

Como em toda história de zumbis, o roteiro aproveita a situação para abordar temas atuais e interessantes como a fome, a superpopulação e o aquecimento global. O filme também mostra a falta de preparo do governo, que é incapaz de lidar com a situação de uma maneira eficaz.

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A direção é de Marc Foster, diretor alemão que surgiu dirigindo dramas intimistas, como “Em Busca da Terra do Nunca” e “O Caçador de Pipas”. Sua inserção no mundo dos blockbusters foi o mediano “007 – Quantum of Solace”. Será que ele seria a melhor opção para um filme blockbuster recheado de ação e efeitos especiais?

Marc Foster se mostrou um diretor seguro e competente ao acertar a mão nesse filme. Os takes aéreos – que podem ser considerados um clichê do gênero – são belíssimos e as cenas de ação são muito bem dirigidas. As cenas de ação são tensas e intensas. As cenas de Jerusalém e do avião merecem um destaque significativo.

Foster trocou o sangue por um suspense arrebatador que prende o público na cadeira por todo o filme. Observem a cena em que Gerry tenta chegar ao telhado do prédio. A fotografia escura e a câmera de mão não deixam o espectador saber o que está acontecendo.

A cena na OMS também usa alguns recursos interessantes para ampliar a tensão. Percebam como a amplificação do som através do eco gera tensão crescente. A maneira como a cena é acompanhada pelo o sistema de vigilância também ajuda na criação dessa tensão.

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O elenco é encabeçado e mantido por Brad Pitt. Brad está seguro em um personagem emblemático. Gerry é inteligente, perseverante e humano. Enquanto o roteiro tenta transformar Gerry em um super herói, a atuação de Pitt mantém os pés do personagem no chão. O Gerry de Pitt é simplesmente real.

Dentro do elenco coadjuvante, alguns atores conhecidos – David Morse, James Badge Dale e Pierfrancesco Favino – fazem pontas sem muito destaque. As atrizes que fazem a mulher de Gerry e a soldado Segen são desconhecidas, mas tem um pequeno destaque dentro do filme.

O filme não é visionário e nem modifica o gênero, mas traz um frescor para os filmes de zumbis. Mesmo não sendo um verdadeiro filme de zumbi. Mesmo não sendo perfeito, Guerra Mundial Z garante duas horas de apreensão e diversão com cenas de ação tensas e efeitos especiais sensacionais.

OBS 1: Um prêmio para quem encontrar o ator Matthew Fox (o Jack de Lost) no filme…

OBS 2: O 3D funciona em algumas cenas, mas ainda é dispensável.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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1 Comment

  1. […] livro é feita por Drew Goddard, que já trabalhou com várias metáforas do tipo em Cloverfield e Guerra Mundial Z, faz uma adaptação muita boa (segundo quem já leu o livro), constrói o filme de maneira muito […]

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