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Filmes

Critica: Goosebumps – Monstros e Arrepios


22 de dezembro de 2015 - 14:00 - Flávio Pizzol

Uma verdadeira sessão da tarde

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Atualmente, a indústria cinematográfica abriu muito espaço para histórias adolescentes que são adaptadas de livros completamente diferentes. Mas nenhum desses tem aquele bom e velho clima oitentista da sessão da tarde e por isso chegou a hora de vermos Goosebumps, do aclamado R.L Stine, trazer esses ares de volta.

Para isso, o filme coloca o próprio escritor (interpretado por Jack Black) como centro das atenções em uma cidade pequena dos EUA. Quando Zach, um jovem que acabou de perder o pai, se muda para a casa ao lado, ele faz de tudo para assustar o garoto de proteger sua filha. No entanto, uma sequência de confusões faz com que todas as suas obras sejam abertas e todos os seus monstros sejam libertados dentro da cidade.

A melhor sacada do roteiro, escrito por Darren Lemke a partir de uma história de Scott Alexander e Larry Karaszewski, é usar o próprio escritor como um dos protagonistas para criar uma adaptação que foge do comum e assim conseguirem utilizar de uma vez só todos as centenas de histórias já criadas por Stine ao invés de fazer uma por uma de forma repetitiva e estranha. Claro que isso abre um leque de vilões muito grandes e nem todos vão ter o destaque adequado, entretanto os escolhidos pelo roteiro conseguem ter cenas que funcionam, com maior destaque para o grande vilão Slappy, que também é brilhantemente dublado por Jack Black.

Todavia, a grande quantidade de vilões preenche o roteiro de uma forma que rouba o espaço de desenvolvimento dos protagonistas, fazendo com que todos eles sigam os estereótipos já previstos para filmes adolescentes desse tipo. E isso só piora quando o filme abandona sua interessante mistura de aventura, terror e comédia para apostar no romance adolescente. A reviravolta em torno dessa história quase paralela chega a funcionar por um instante, mas só dura até roteiro abandonar importantes mudanças na vida do protagonista (incluindo sua pouco explorada e esquecida relação com o pai) só para entregar um final feliz.

Mesmo assim, como eu disse, o filme acerta na mistura entre aventura, humor e sustos para criar o seu clima e o diretor consegue acertar na maioria das decisões tomadas aqui. Rob Letterman consegue criar uma atmosfera de terror razoável, dar um bom timing para 70% das piadas e, principalmente, apostar de maneira certeira que a alma do filme precisa ser uma aventura. E se não fossem os ótimos efeitos especiais, o público poderia facilmente imaginar que está assistindo algum clássico da sessão da tarde, como Ace Ventura e Jumanji (que também ótimos efeitos).

Ele também acerta, em partes, na escolha do elenco, já que Jack Black é simplesmente perfeito para interpretar R.L Stine. Eu gosto bastante do estilo de humor do ator e acho que ele se encaixou muito bem nessa mistura entre arrogância e coração mole. Entretanto, o trio de protagonistas (Dylan Minnetti, Odeya Rush e Ryan Lee) podem ser facilmente considerados um dos pontos mais fracos do longa, simplesmente porque eles não tem carisma suficiente para carregar o filme na ausência de Jack.

Por esses e outros motivos, Goosebumps poderia ser facilmente classificado como um filme ruim. É verdade que ele apela para todos os clichês e saídas fáceis possíveis, possui uma direção apenas funcional e erra em momentos extremamente bobos, mas ele funcionou comigo exatamente por me trazer esse sentimento aventuresco da Sessão da Tarde. Então acredite que ele tira um pouco do terror das histórias originais e passa longe de ser um grande filme, mas cumpre parte do que promete e vale como uma boa diversão para as férias.