AODISSEIA
Séries

Good Girls, rindo e chorando sobre o dinheiro derramado

Segunda temporada traz o drama em união à comédia para entreter com facilidade.


3 de junho de 2019 - 20:42 - Tiago Soares

Na crítica da primeira temporada mencionei que o mundo precisava de uma série que unisse diversão a debates importantes como a sororidade e empatia entre as mulheres, que infelizmente sempre viveram em ambientes que forçavam a disputa entre si. Agora no segundo ano, além de reafirmar toda essa questão, “Good Girls” caminha para se tornar não apenas uma comédia de primeiro escalão, mas também um forte drama sobre consequências dos nossos atos, afim de ressaltar a importância de nossas origens.

Beth (Christina Hendricks), Ruby (Retta) e Annie (Mae Whitman) deixam de colocar suas famílias em primeiro lugar para cuidar de si mesmas. Mas não se deve encarar isso de uma forma egoísta, já que neste segundo ano seus respectivos filhos e maridos são os que mais sofrem com as consequências de uma vida dupla. A saga do trio continua após Rio (Manny Montana) não deixá-las em paz, já que estava lucrando bastante. Unido a isto, Beth finalmente se envolve com o traficante (fazendo muita gente vibrar), o que acaba dando a ela ainda mais dor de cabeça, além de um retrato de relacionamento abusivo.

Ruby tem Stan (Reno Wilson) ao seu lado, sendo bem mais compreensivo que no ano anterior, ao passo que rende cenas fantásticas que a fazem ser a mãezona que é. Na vida de Annie sai o drama com a filha Sadie (Isaiah Stannard) e sua transição que envolve toda a mudança de sexo – entram os problemas emocionais sobre em quem confiar. No encalço das três está o detetive Turner (James Lesure) e sua vontade imensa de desvendar a série de crimes que elas cometeram, unido ao novo agente Noah (Sam Huntington), que acaba se envolvendo com Annie. Os dois agentes tem as ajudas indiretas de Mary (a talentosa Allison Tolman que ganha merecido destaque) e do chato Boomer (David Hornsby).

Os inúmeros diretores que passaram por esta temporada fizeram um trabalho magnífico ao causar uma sensação de urgência no espectador. Apesar de já estar renovada, Good Girls sempre foi uma série surpreendente e as consequências são reais. As piadas continuam rápidas e dinâmicas, mesmo com o aumento de dez, para 13 episódios. O paralelo feito entre a vida de crimes e a vida familiar, rende sequências tanto hilarias como apreensivas. A moralidade das três é sempre posta a prova e à medida que o tempo passa, o crime parece não compensar mais. A criadora Jenna Bans está a cada dia mais disposta a deixar isso nas mãos do espectador, e como amamos nossas meninas, é difícil não querer que elas se deem bem.

O carisma e química das três permanecem e flahsbacks nos ajudam a entender essa relação, como no ótimo episódio 8 “Thelma and Loiuse”. O desespero dá lugar ao drama e assim como o roteiro, as personagens saem de condições completamente cômicas para situações bizarras, passando por coisas bem sérias e casos de vida ou morte. São mulheres normais fazendo coisas extraordinárias das quais não estão acostumadas, tendo todos ou quase todos os homens ao seu redor como vilões, fazendo justiça ao citar o Dean de Matthew Lillard que está excelente. Assim Good Girls caminha para se tornar uma das comédias dramáticas mais interessantes da Netflix.