0

Girls e as mulheres reais.


Girls não é uma série fácil. Não é o seriado adorável ou mirabolante que vai nos divertir imensamente. Girls é uma série complexa. Uma série sobre mulheres e para mulheres. O programa me faz pensar, e cada vez que eu reflito mais sobre ele, consigo gostar mais um pouco e entender porquê ele fascina tanta gente. Eu já disse até em outra crítica que nunca fui muito fã de Girls, o que é justificável já que comecei a assistir muito nova. Hoje depois de ter assistido ao fim da série, e com uma visão de mundo completamente diferente, eu só consigo pensar “que série!”.

O sexto ano do seriado começa com Hannah realizando o seu maior sonho: ser publicada em um jornal famoso. Já começamos a temporada com o primeiro ponto final. Como eu disse, Girls é complexa, não segue o estilo série adolescente ou novelão, logo, o que a gente podia esperar foi realmente o que aconteceu: uma temporada em que os fins vão chegando ao longo dos episódios, de maneira despretensiosa.

Durante os capítulos, vimos (pouco) Shoshanna e sua tentativa de se reestruturar em Nova York e que, por fim, deu certo de alguma maneira. Vimos Marnie finalmente levando na cara por ter o ego maior do mundo e aprendendo a tomar responsabilidade pela sua própria vida. Jessa e Adam continuaram mantendo um relacionamento não saudável. Adam (personagem que tenho gastura) por mais que tenha evoluído e melhorado muito, tendo reais preocupações com Hannah, continua sendo o famoso ex que só paga de doido.

Jessa, uma personagem incrível que, mesmo com o amadurecimento ao longo dos anos, abandonou a faculdade e continua levando a vida daquele jeito impulsivo e relaxado de sempre.  Elijah desenvolve maravilhosamente sua relação com Hannah e encontra um novo caminho como ator. Ray finalmente larga de ser trouxa e encontra alguém bacana pra ele. Hannah descobre uma gravidez e toma a difícil e corajosa decisão de criar o filho sozinha. Finais bem construídos mantendo o ar que a série tem de “a vida como ela é”, e fugindo do óbvio de vários seriados em que tudo termina maravilhosamente bem.

O fim, inclusive, foi selado no penúltimo episódio da série, no qual finalmente ocorre o encontro das quatro “amigas”. O capítulo junta as quatro na festa de noivado de Shoshanna e cria uma discussão sobre a amizade delas. Foi um momento muito real da série, no qual faz pensar em nossas próprias amizades. Algumas se desfazem, como Sosh que não quis mais saber das três amigas, algumas se reconstroem, como Jessa e Hannah que se entenderam mesmo após o conflito desenvolvido pelo triangulo amoroso, e algumas são mantidas bem fortes, como Marnie e Hannah, que sempre foram muito sincera uma com a outra e ficam juntas para criar o bebê de Hannah.

E é isso que eu aprendi a gostar em Girls. O teor de realidade, a maneira crua como trata a vida. Não existe corpos perfeitos, personagens perfeitos, casais perfeitos, como a ficção gosta tanto de mostrar. Girls ilustra a vida de forma prática dizendo pra gente: olha vai acontecer coisa boa, mas vai acontecer muita, MUITA merda, e a gente tem que saber se virar. Os personagens, todos muito caricatos e marcantes, retratam de forma intensa os problemas que todo mundo passa.

Adam, com seu jeito loucão e agressivo, com certeza tem alguma característica de um ex namorado babaca que nós tivemos; Sosh revela nosso lado controlador de querer dominar a vida; Marnie é o nosso ego, nossa imaturidade em culpar os outros por tudo; Jessa com certeza vai te lembrar algum traço autodestrutivo, impulsivo que você já teve ou tem. Já Hannah é como eu e você.

Lá no início da série era uma garota cheia de sonhos, querendo marcar o mundo, que cresce e percebe que a vida não funciona tão fácil assim, que a gente vira adulto e tem responsabilidades. A personagem que começou a temporada realizando sonhos, termina como milhares de mulheres normais: mãe solteira no interior. Esse é o tapa na cara.

A série durante todo último ano manteve qualidade absurda nos diálogos, que são bem construídos e sem limites para franqueza. Girls termina como uma série madura, bem feita e com o último episódio completamente focado em Hannah e Marnie, baseando o enredo apenas nos acontecimentos da vida das duas com o bebê . O último episódio não marcou finais, não teve momento nostalgia e não poderia ter sido mais a cara de Girls.


Assuntos polêmicos!


Vale lembrar ainda que o seriado continuou tratando de temas delicados e indesejáveis. O terceiro episódio, completamente solto do arco narrativo, que aborda o assédio com Hannah indo na casa de um famoso escritor, que está querendo provar a ela sua inocência. Episódio sério, forte, que nos alerta para forma manipulada que um assédio pode acontecer.

Outro tema que não poderia faltar com a gravidez de Hannah: o aborto paterno. O aborto materno já havia sido retratado na série inúmeras vezes, de diversas formas, e a surpresa para nós espectadores foi o contrário acontecer: Hannah querer ficar com o bebê e o pai se esquivando completamente da responsabilidade. Realidade cruel mas muito muito comum e que falta na ficção.

E como em todos os anos da série, o assunto relacionamentos não saudáveis continuaram em pauta esse ano. Seja com Adam querendo entrar na vida de Hannah de novo para ajudar a criar o bebê, apenas para suprir a sua vontade de ter um filho, com Desi voltando para vida de Marnie e demonstrando um lado completamente agressivo devido às drogas, ou até mesmo com Marnie sustentando mentiras em seu relacionamento com Ray.

 

product-image

Girls | 6ª Temporada

10

E essa tal irresponsabilidade de 13 Reasons Why…

Previous article

Velozes e Furiosos 8 é a celebração do exagero

Next article

You may also like

Comments

Leave a reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

More in Séries