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Fruitvale Station é o filme surpresa deste ano, assim como “A Indomável Sonhadora” foi no ano passado. Um filme independente, simples e extremamente tocante, que foi dirigido e roteirizado por um estreante. Um filme que pode – e deve – figurar nas indicações ao Oscar desse ano.

O filme, que venceu diversos prêmios nos Festivais de Sundance e Cannes, começa com uma filmagem de celular que mostra o final do filme, sem que isso seja um spoiler.  Isso pode ser dito, porque a história do filme é baseada em um caso famoso, similar ao do brasileiro Jean Charles, onde um jovem negro foi morto por policiais em uma estação de metrô nos EUA.

Esse jovem é Oscar Julius Grant III. Um jovem muito ligado a mãe, que namora e tem uma filha, com quem é muito ligado. Oscar já tinha sido preso (provavelmente por tráfico de drogas), mas, desde de sua saída, estava tentando mudar de vida. Basicamente, o filme segue Oscar por um dia, para apresentar o personagem e levá-lo ao seu final nada glorioso.

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O roteiro e a direção são do estreante Ryan Coogler, que já está sendo cotado para dirigir uma espécie de continuação de Rocky Balboa. O roteiro de seu longa de estréia é sensacional. Ryan usa muito bem a curta duração (85 minutos) do filme e não deixa nada importante de fora.

Todas as cenas são usadas para criar, desenvolver ou expor de alguma maneira a personalidade de Oscar. O diálogos simples, repletos de gírias, e o jeito carismático do personagem criam uma aproximação imediata deste com o público. Sua relação com a filha é muito fofinha e divertida.

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As maior parte das cenas, inclusive um flashback da prisão, pareciam ser só um apanhado da vida de Oscar que estava sendo usado para contar sua história, mas tudo muda no final. O último terço do filme une, de maneira sutil e quase natural, algumas cenas e diálogos para criar um climax emocionante para o filme.

Obviamente, não posso deixar de falar sobre as criticas feitas pelo roteiro. Criticas que já foram feitas na época em que Oscar foi assassinado, mas que Ryan insiste em intensificar. Criticas ao preconceito, principalmente no trecho final do filme. Afinal, se os brancos também estavam na briga, por que nenhum deles foi preso? Quando o policial entra no metrô, porque o primeiro “bandido” identificado é um negro? Por que ele nem olha para as outras pessoas? Por que um tiro foi disparado, se Oscar já estava imobilizado e algemado?

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A direção do filme é igualmente competente. A câmera de mão usada por Ryan trabalha próxima aos personagens, aproximando o público destes. Essa mesma utilização dá um tom documental que funciona muito bem em um filme que é quase um protesto.

Se boa parte do filme é filmada de maneira simples e cativante, o trecho final do filme é tenso e cru. A câmera treme mais, os nervos e as emoções estão à flor da pele e a tensão está no ar. A briga no metrô, a prisão, o tiro, os protestos do passageiros do metrô e o sofrimento das pessoas próximas a Oscar é denso e muito emocionante.

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As cenas do hospital, onde Octavia Spencer domina o filme, conseguem ser mais tocantes ainda. Ainda que estejamos a par do resultado, torcemos pela sobrevivência de Oscar e sentimos na pele a dor de seus familiares e amigos.

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As atuações também são gloriosas. Michael B. Jordan (Poder sem Limites e provável novo Tocha Humana) se identifica com um personagem complexo e humano e demostra muito todos os seus sentimentos e emoções. Octavia Spencer (Histórias Cruzadas) também manda no filme. Suas cenas na prisão e no hospital (principalmente a última cena) são de cortar o coração.

O filme ainda tem bons coadjuvantes. Melonie Diaz (Rebobine, Por Favor) faz a namorada de Oscar, a estreante Ariana Neal faz a fofinha Tatiana (filha de Oscar) e Kevin Durand (Gigantes de Aço, Robin Hood e X-Men Origens: Wolverine) faz o principal policial da ação no metrô que vitimou Oscar.

Um simples, mas extremamente tocante e verdadeiro. Um filme para se refletir sobre as realidades sociais e as injustiças que podem ser sofridas por qualquer um. Espero que Fruitvale Station receba a atenção que merece e toque as pessoas com sua história simples e bonita.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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