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Frank

Um filme independente, que, partindo de sua premissa criativa, tinha tudo para ser um filme sensacional. Mas seus muitos altos e baixos acabam pesando e deixando filme meio manco, incompleto.

O filme segue Jon, um tecladista descontente com suas composições, que se envolve com uma banda de nome impronunciável. A partir daí, o público vai acompanhando a estranha gravação do disco, a relação do protagonista com os outros integrantes do grupo (principalmente Frank, o líder que nunca tira sua cabeça de plástico) e a tentativa de alcançar o estrelato.

O roteiro começa acertando em cheio na apresentação da ideia, que é tão surtada quanto parece, e na construção dos personagens principais, mas ele perde o fôlego e a atenção do espectador no seu miolo. Tudo bem que o clímax é bem interessante, mas perde a força por que o público já está de saco meio cheio. É esse tipo de altos e baixos que atrapalham o filme.

Não é um filme que não funciona ou que é ruim, mas parece que, em algum momento, ele entra em uma espécie de limbo e para de se desenvolver. É como se a história tivesse sido esgotada, mesmo com o filme sendo bem pequeno. A questão é que, sem ter estudado sobre esse assunto, eu não sei explicar qual é o exato problema, entretanto eu senti que alguma coisa estava faltando.

A sorte de Frank é que seus ótimos personagens principais conseguem carregar o filme nas costas quando ele tropeça. Jon é um personagem cheio de camadas e que funciona brilhantemente como narrador, através de tweets e descrições do YouTube. É uma sacada muito boa usar essas redes sociais para narrar  e guiar a história, sem contar que isso também gera boas escolhas estéticas para mostrar isso em tela. E assim, Jon passa a ser o olhar do público, enquanto segue a banda com seu celular escondido, e também a força motriz do longa, já que a história só volta a andar por causa de suas decisões e ações.

Jon é interessante e tem seu papel definido dentro do filme, mas o grande destaque fica com o coadjuvante Frank. E isso é feito de maneira acertada e pensada, já que um personagem como esse não poderia ficar escondido sob as sombras de um sujeito normal. Frank é um gênio, louco e cativante, que lidera um bando de surtados, mas se destaca por viver com um cabeção de plástico.

Dos outros personagens, os únicos que tem algum destaque são Clara (como uma vilãzinha do filme) e Don (que tem pelo menos dois grandes momentos em cena), mas eles não são tão bem desenvolvidos. Talvez seja por isso que o climax, focado na relação entre Jon e Frank sem o restante da banda, é tão bom.

A direção de Lenny Abrahamson é criativa e funcional, mas não chama mais atenção que seus atores, que lidam muito bem com um roteiro problemático e diferente. Domhnall Gleeson (um dos nomes do elenco do novo Star Wars) tem uma atuação mais contida do que no ótimo Questão de Tempo, mas se sai muito bem mesmo assim. Maggie Gyllenhaal e Scott McNairy tabém estão bem como Clara e Don, respectivamente. Mas, tendo o personagem mais intenso e complicado, é Michael Fassbender que comanda o filme, sem usar o seu rosto durante boa parte da produção. Seus movimentos corporais e seu jeito caricatural de falar é que dão vida ao personagem.

O filme é interessante esteticamente, tem um ótimo elenco, traz boas discussões, mas carece de melhor desenvolvimento narrativo. Logicamente isso prejudica a projeção e deixa o filme meio perneta e instável. Fiquei um pouco decepcionado com a trilha sonora pouco marcante (a música do final é a única que é realmente boa), mas ainda assim posso dizer que o filme pode ser assistido tranquilamente.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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