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Indicada ao Emmy 2019, Fosse/Verdon mostra uma relação de cumplicidade, traumas, traições e admiração entre duas estrelas atemporais.

No início do 7º episódio de “Fosse/Verdon”, Gwen começa um espetáculo dizendo que vamos acompanhar uma história de ganância, exploração, adultério e traição. Ela não mentiu ao simplificar o plot principal da série que segue o coreógrafo, bailarino, diretor e produtor de filmes e musicais da Broadway Bob Fosse, e sua relação conturbada com a atriz, coreógrafa, bailarina e vencedora de vários prêmios Tony, Gwen Verdon.

Fosse também venceu vários prêmios em sua carreira, incluindo o Oscar de melhor diretor por Cabaret em 1973, mas teve a grande ajuda de Gwen, que já era uma atriz consolidada na época. Com uma narrativa linear, mas totalmente inventiva, vivemos a contagem regressiva até a morte de Fosse em 1987, o que sintetiza bem sua vida conturbada, recheada de casos e assédios com mulheres com que trabalhava, o uso de drogas constantes e internações involuntárias.

Ávidos, assistimos o desenrolar de seu relacionamento com Gwen, duas figuras difíceis e com passados problemáticos, que os tornariam os artistas peculiares que conhecemos até hoje, influenciando ainda a criação da filha Nicole (Blake Baumgartner/Juliet Brett). A minissérie de Thomas Kail (“Duas Garotas em Apuros”) e Steven Levenson (“Masters of Sex”) é cercada de extremos, seja no visual que mistura a arte da dança com um roteiro denso, até nas atuações soberbas de Michelle Williams e Sam Rockwell, ambos indicados ao Emmy 2019.

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Com uma vida de excessos, ambos viviam no limite, sejam juntos ou separados e Gwen nunca saía do lado de Bob, sendo que a última frase, do último episódio, deixa isso extremamente claro. Se a vida pessoal era marcada por infidelidades, a profissional ia bem, e ambos comandavam Hollywood e suas adaptações musicais, com um grande trabalho de entrega dos atores, evidenciando uma relação de cumplicidade e admiração mútua.

Com uma linguagem um pouco parecida com outra série de sucesso da FX (Feud, de Ryan Murphy), “Fosse/Verdon” deixa a rivalidade e a luta de egos entre duas grandes estrelas atemporais de lado e foca numa jornada que causa estranheza, repulsa e ao mesmo tempo um sentimento de beleza incompreendida.

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Fosse/Verdon

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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