AODISSEIA
Séries

Crítica: Flaked – 1ª Temporada

11 de abril de 2016 - 09:00 - felipehoffmann

Recomeçar é difícil e sem vontade, é Flaked.


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Assistir Flaked é ver o quão triste a realidade pode parecer. Longe de ser ficção, a trama trás pontos reais de uma vida que poderia ser a minha, a sua ou de qualquer outro. Contudo, saber contar histórias é complicado e é justamente aí que a série peca. Comédia e drama se misturam de forma pouco homogênea, com piadas que não funcionam e redes dramáticas que tropeçam nas próprias pernas. Flaked está longe de ser ruim, mas faltam alguns degraus para ser verdadeiramente boa.

Wiil Arnett vive Chip, um ex-alcoólatra que escolheu Venice para recomeçar a vida após cumprir pena sob acusação de matar uma pessoa enquanto dirigia embreagado. Chip mente, mente para viver, sem aspirações futuras. Encontra na mentira uma forma de escapar da realidade já sem grandes pretensões. Tocar uma loja de móveis estilizados é o que sabe fazer, mas nem isso faz direito, pois não quer, não tem vontade nem gana de vencer.

A série, original da Netflix prometia algo mais, tenta passar isso, mas não consegue muito bem. Todas as ações de Chip tem consequências, boas ou más. E sua redenção no final, se libertando das mentiras que ele mesmo atou, é fundamental para a redenção do personagem, porém, com tantas histórias embaralhadas, Flaked vacila em dizer o que quer. Cria arcos com pessoas ricas, pobres, drogados, policiais e com a comunidade, mas resolve tudo de forma fácil e até preguiçosa.  Um roteiro, criado também pelo próprio Arnett, merecia ser melhor conduzido na tentativa de passar todas suas intenções.

Flaked tropeça mas continua em pé. Sabe aqueles filmes do Adam Sandler, com piadinhas fora de tempo, esteticamente mal conduzidas, mas que são divertidinhos? Então é tipo isso, só que um pouco mais dramalhão. Os oito episódios deixam ganchos para uma próxima temporada, todavia, se terminasse por aí estava ótimo, aliás, mediano.


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