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Finalmente lançaram Faroeste Caboclo… Depois de um bom tempo, o filme baseado na música do Renato Russo, que é um roteiro quase pronto, foi lançado nos cinemas. Uma música diferenciada, icônica, muito bonita e repleta de simbolismos e metáforas. Apesar de muitas pessoas acharem que a música já daria um filme sem mudar nada, uma certa adaptação é necessária por causa da mudança de mídia. E até certo ponto, as mudanças não prejudicam o filme.

Acredito que eu não preciso falar que o filme segue a história de João de Santo Cristo, um menino negro e pobre que muda de vida quando se muda pra Brasília. A história do filme é a história da música. Algumas coisas foram acrescentadas, outras foram alteradas e algumas foram retiradas. Ainda assim, a grande maioria das mudanças são boas para o filme. Mas quem sabe a música de cor (esse é o meu caso), vai sacar as mudanças e sentir falta de diversas coisas.

Continuando no assunto, o roteiro é bem interessante. Algumas coisas retiradas, acabam ficando subentendidas no decorrer do filme pela maneira com que ocorrem os flashbacks. O roteirista também criou bons “panos de fundo” para as histórias de Maria Lúcia e Jeremias. Esse background ajuda na identificação do público com os personagens. A história do pai de João, que praticamente não existe na música, é muito boa e serve para mostrar a personalidade do Santo Cristo em poucas cenas.

Outro ponto positivo é que o filme não poupa o público, assim como a música do Renato não poupou os ouvintes em 1987. O filme retrata de maneira bem interessante a juventude e também a sociedade da época, que era guiada pelo preconceito, pelo sexo, pelas drogas e pela violência. Além disso, o filme ainda faz um paralelo com a corrupção que encaixa bem na história. Apesar de não ser uma violência “tarantinesca”, o filme não alivia nas cenas mais pesadas.

Tudo estava indo bem, até que chegou o final do filme… Não vou contar como acontece, mas o final é retratado de uma maneira muito diferente em relação a música. E isso me incomodou, por que em uma levada só, o roteiro retirou uma das melhores “falas” da música e mudou o que o final passa na música. O problema é que essa parte da música é extremamente cinematográfica e seria uma cena grande e simbólica se não fosse modificada. Mas o final ainda funciona no filme, apesar de preferir o final da música por gostar muito da mesma.

A direção de René Sampaio é muito concisa e segura. Ele utiliza de uma maneira bem legal os flashbacks e os diferentes ângulos de câmera. Um exemplo disso é a primeira cena de sexo de João com Maria Lúcia. Outra decisão interessante, que pode dividir opiniões, foi a retirada total das menções políticas para deixar o filme mais próximo de um western (um gênero que deveria estar mais presente no cinema brasileiro). A cena final é filmada de uma maneira que homenageia os westerns de Sergio Leone.

A edição e a fotografia também estão perfeitas. Tão perfeitas que acho que o logo da Globo Filmes entrou lá por algum erro do projetista no cinema. A trilha sonora recheada de sucessos do rock também merece ser citada.

O elenco também está muito bem. Fabrício Boliveira faz algumas cenas fortes de maneira perfeita (as cenas na cadeia e uma outra onde ele é sequestrado por Jeremias são os destaques). Ísis Valverde, Felipe Abib (comediante que está perfeito como Jeremias), Antônio Calloni e César Trancoso também merecem destaque já que funcionam muito bem.

O filme é melhor do que muito filme brasileiro que eu já assisti e merece ser assistido. Algumas vão se incomodar com as mudanças feitas em relação à música, mas, na minha opinião, só a mudança final prejudica o andamento do filme. Um filme que passa bem uma boa parte das idéias de Renato Russo, com muita ação, suspense e drama.

OBS 1: Depois vou fazer um post, com spoilers, analisando minuciosamente a música e comparando a mesma com o filme.

OBS 2: Ísis Valverde paga peitinho 3 vezes…

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