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Filmes

Crítica: Escape Room – Jogos Mortais sem o carisma de Jigsaw

Terror visual é tenso em certos momentos, mas história já foi contada 8 vezes antes.


8 de fevereiro de 2019 - 16:01 - Tiago Soares

Oito filmes. Essa é a quantidade de produções da franquia Jogos Mortais, iniciada por James Wan lá em 2004. A ideia original na época se passava apenas em um cenário e trazia certo mistério, além de atuações poderosas e a presença de um vilão icônico que foi parodiado em inúmeras sátiras. Escape Room tenta repetir o sucesso, desta vez com os millennials, trazendo um debate interessante sobre um mundo cada vez mais sádico e viciado em tortura.

As redes sociais estão repletas de vídeos de acidentes, assassinatos e afins que são compartilhados infinitamente. O filme deseja se tornar importante nesta discussão, mas não se aprofunda, ao mesmo tempo em que não aprende nada com o fracasso do último filme da franquia “Saw“. A estrutura é basicamente a mesma, e não sei se a proposta inicial era a repetição, mas é inadmissível que ninguém tenha notado isso na sala de roteiristas.

Seis pessoas recebem uma caixa misteriosa. Após decifra-la, destravam um convite para uma sala de escape room, conhecido jogo aonde um grupo tenta escapar de um cômodo ou um conjunto deles através de pistas em um curto espaço de tempo. Ao ganhador é prometido o valor de 10 mil dólares e destas seis, apenas três recebem um background anterior da produção, com as outras tendo suas histórias pregressas apenas pinceladas durante a narrativa. O fator determinante é que há um motivo, algo que os torna especias para estarem ali.

Todos os esteriótipos estão presentes no grupo. O nerd viciado em jogos Danny (Nik Dodani, Atypical), a muher durona e com um passado sombrio, Amanda (Deborah Ann Woll, Demolidor), o fracassado Ben (Logan Miller, Com Amor Simon), o mais velho e portanto mais sábio Mike (Tyler Labine, A Chefa), a estudante tímida Zoey (Taylor Russell, Perdidos no Espaço) e o ambicioso vendedor de ações Jason (Jay Ellis, Insecure). Pelas personalidades totalmente unidimensionais, é possível saber o que cada um fará na trama e já se imagina o destino deles – tirando qualquer sensação de surpresa. Alguns deles até se esforçam e tentam dramatizar um texto cheio de diálogos expositivos, mas caem em piadas totalmente sem graça que não possuem nenhum time.

A direção de Adam Robitel (Sobrenatural: A Última Chave) é até inventiva (como na cena da sala de ponta cabeça) e transmite a tensão necessária – aliás – o filme chega a ser sufocante em certos momentos, principalmente naqueles que misturam passado e presente. Tudo que denota tempo e pressão geralmente nos deixa apreensivos e a direção caminha bem com seus cortes rápidos, sendo possível sentir o tempo passar. A tensão substitui a ausência de sangue, que diferente da franquia em que é inspirado, não deixa a tela banhada do líquido vermelho.

Escape Room já nasce com cara de franquia e talvez esse seja o calcanhar de Aquiles da produção, que ao invés de entregar uma narrativa coesa e auto-suficiente, já trabalha com a cabeça lá na frente –sintetizada no final pouco criativo, que não tem 1% do carisma de Jigsaw.