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Em Transe é mais um daqueles thrillers feitos para enganar o público. É daqueles filmes que brincam com a mente do espectador de mil e uma maneiras diferentes. E nada melhor que usar o subconsciente de alguém para contar uma história dessas. É isso que faz esse noir moderno dirigido por Danny Boyle.

A história desse suspense pode, em alguns momentos, lembrar o filme “A Origem”, mas a única semelhança é que ambos usam a mente como plano de fundo. Aqui, Simon é um leiloeiro que participa de um assalto em troca do pagamento de uma dívida de jogo. O problema começa quando Simon leva uma coronhada durante a ação e perde a memória. Para que ele lembre onde guardou o quadro, a gangue, liderada por Franck, contratauma hipnotizadora misteriosa.

Esse tipo de história se encaixa perfeitamente no estilo de Danny Boyle. Ele usa a temática do filme para abusar de efeitos estilizados, jogos de sombra e luzes e ângulos delirantes. Com a ajuda de uma edição feroz, Danny constrói uma história atemporal e bagunçada que leva o público para dentro da mente do personagem principal. A fotografia avassaladora e a trilha sonora pesada ajudam a “arquitetar” o filme.

Outro fato interessante é que Boyle sempre utilizou um estilo diferenciado para contar suas histórias, mas suas histórias sempre foram diferentes. Por isso que Boyle é um diretor tão abrangente. Danny procura se aventurar por filmes diferenciados para evoluir como diretor. “Trainspotting” (seu melhor filme) é completamente diferente de “127 Horas” que não chega nem perto de “A Praia” ou de “Quem quer um Milionário?”. Até filme de zumbi, “Extermínio”, ele já dirigiu.

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O roteiro foi escrito por Joe Ahearne na década de 90 e já foi adaptado para a TV em 2001, mas recebeu o polimento de John Hodge (antigo colaborador de Boyle) para ser levado ao cinema. A história evolui rapidamente duranta a primeira metade do filme, mas, infelizmente, o filme perde força durante o final. O final é o momento das reviravoltas e é onde o filme deveria fisgar de vez o espectador. Mas aqui a quantidade de reviravoltas é gigantesca e só atrapalha a resolução final.

Parece que o roteiro perdeu aquele momento de fazer a revelação. São tantas revelações que o impacto da principal é ínfimo.

O roteiro ainda tem um diversos erros e buracos, mas como a mente do público já está embaralhada, ninguém percebe esses erros. Ou seja, na maioria do tempo, o roteiro flui bem e atinge o seu objetivo: deixa o público com várias pulgas atrás da orelha.

O elenco é formado por apenas 16 personagens creditados e destes uns 8 são regulares no filme. O elenco é enxuto e guiado pelo trio principal: James McAvoy, Vincent Cassel e Rosario Dawson. James é um ator talentoso, que está em ótima forma. Ele consegue passar para o espectador todas as mudanças do seu personagem (ingenuidade, descobrimento, ambição, amor e etc…). Simon é um personagem cheio de camadas e McAvoy consegue interpretá-lo de uma maneira sutil e singular.

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Vincent Cassel também é um ótimo e eficiente ator que encarna com facilidade um personagem viril, intenso e ponderado. Já Rosario fica com o papel que é a força motriz do filme. Dawson está linda e personifica uma personagem cheia de nuances de uma maneira ousada e forte.

E a maior graça do filme consiste em tentar – possivelmente, sem êxito – desvendar “quem é quem” e o seu real papel no filme.

Essas são as perguntas mais pertinentes, mas não são as únicas. E a quantidade de perguntas e pistas ajuda a bagunçar mais ainda o filme.

No final das contas, a narrativa  é um pouco forçada (mas muito eficiente e envolvente), as atuações funcionais e inteligentes e a direção é delirante e, visualmente, perfeita. É um filme simples e homogêneo, mas pode ficar muito complexo se o espectador não tiver um pouco de atenção. Filmes desse tipo, onde as peças se juntam no final, exigem que o público preste um pouco mais de atenção.

O filme tem um início eletrizante e uma conclusão extremamente confusa, mas merece ser visto. Algumas reviravoltas a menos teriam deixado o filme no ponto. O final é surpreendente, mas não tem o mesmo impacto que outros finais reveladores. Não é perfeito, mas vale a pena ser visto.

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