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Mais do que um romance, “Ellie e Abbie” é um filme de afirmação da identidade, como mulher e como mulher lésbica


O início de “Ellie e Abbie” lembra muito o sucesso do ano passado “Booksmart”, com a protagonista recheada de mensagens positivas, ouvindo uma mulher falar sobre otimismo e o lado bom da vida. Logo depois corta para a vida de Ellie, academicamente brilhante, mas nada bem no quesito coragem e desenvoltura.

Ellie está muito a fim de Abbie, sua rebelde colega de sala. Determinada a convidar seu primeiro amor para o baile de formatura, Ellie cria um plano de ir a público e convidá-la, mas antes que possa executá-lo, sua falecida tia Tara (Julia Billington) reaparece do além-túmulo. Acreditando ter retornado dos mortos para ser a fada madrinha de Ellie, Tara distribui conselhos amorosos não solicitados baseados em sua vida de lésbica assumida nos anos 1980.

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ellie e abbie

Ellie e Abbie / Foto: Divulgação

Em seu filme se estreia, Monica Zanetti nos apresenta ao jeito australiano de fazer humor, baseado em ironia, principalmente quando fala dos EUA. A vida não é um filme de romance, e “Ellie e Abbie” está disposto a deixar isso claro. É um parto ver a tímida Ellie tentando simplesmente chamar Abbie para sair, ou apenas dizer um oi.

É claro que unido a esse fato, está a saída do armário da protagonista de maneira nada convencional, e a presença da tia como um fantasma. Algo que começa despretensioso, apenas como uma muleta para fazer gracinhas sobre a mulher fora de seu tempo e quebrar a 4ª parede, logo se mostra um drama sério que permeou o passado da família.

Mais do que uma comédia, “Ellie e Abbie” fala sobre o poder da memória e de como poucas coisas mudaram nos relacionamentos, mesmo com o advento da tecnologia. A química entre as atrizes é imediata, mesmo com as diferenças de privilégios no âmbito LGBTQIA+.

Ellie e Abbie / Foto: Divulgação

Ellie (Sophie Hawkshaw) vem de uma família que aceita com mais facilidade sua orientação sexual, na figura da mãe Erica, vivida pela incrível Marta Dusseldorp, enquanto Abbie (Zoe Terakes), apesar de conhecermos pouco de sua vida, demonstra que sua descoberta não foi nada fácil. Apesar das idades equivalentes, Abbie está em outro momento da vida, e como o título do filme leva o nome das duas, seria interessante ver mais dela.

Mesmo com o clima leve, “Ellie e Abbie” consegue ser profundo quando convém. Sólida, a produção traz relatos de vivências de outrora, principalmente do mundo lésbico. Lutas, convivências, coincidências. Se hoje, as gerações futuras de mulheres lésbicas podem fazer algo tão simples como beijar suas companheiras no meio da rua, é porque outras fizeram isso ser possível.


Filme visto no 28ª festival mix brasil. Saiba mais sobre o evento AQUI.

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Ellie & Abbie

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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