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Quando se tem uma história básica de um homem acima de 40 anos que ainda mora com a mãe e é extremamente tímido e deslocado no mundo, não se dá valor ao que aquilo pode nos trazer de bom e reflexivo. Fúsi (nome do filme no original) é este homem. Ele vê todas as pessoas ao seu redor se moverem e ele mesmo ficar parado no tempo. É sempre questionado sobre o porque de nunca ter se casado ou ter tido filhos, nunca ter saído da casa da mãe ou de sempre fazer as mesmas coisas.

Brincar com sua réplica em miniatura da 2ª guerra mundial, ir no mesmo restaurante e pedir a mesma coisa todas as sextas, possuir apenas um amigo, e ser totalmente abusado, física e moralmente no trabalho por seus colegas. Gunnar Jónsson no papel título tem uma atuação contida, de aceitação apenas. Seja qual for a barbaridade que ocorre ao seu lado, o personagem parece alheio e condicionado a aceitar.

A inocência de sua pessoa causa estranheza de início e até certa raiva no espectador, pelo menos até a chegada de Sjöfn (Ilmur Kristjánsdóttir), que ele conhece em uma aula de dança, que rende cenas impagáveis. A eventual mudança na vida de Fúsi é inevitável, mesmo sendo tardia a trama teria que andar, lentamente o personagem começa a ser ele mesmo, só que diferente.

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O trabalho do diretor e roteirista Dagur Kari é muito bom, já que ele consegue focar no rosto sem vida do personagem, e na paisagem gélida para agravar tal situação. O protagonista começa a se interessar pelas coisas da vida aos poucos, mas continua sendo o mesmo de antes.  É como um ser sem vida, mas com um conflito interior perceptível, principalmente nos minutos finais.

Sua vizinha de 8 anos, tem um papel crucial na forma em como Fúsi vê o mundo. A linha tênue entre ingenuidade e malícia é algo tratado com bastante ênfase aqui. Desajustados é um filme feito exclusivamente para te fazer pensar, em nenhum momento me senti desesperado por uma mudança, mas tenho certeza que pelo menos, você olhará o mundo de outra forma.

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Desajustados

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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