AODISSEIA
Filmes

Crítica: Debi & Lóide 2


3 de março de 2015 - 18:34 - Flávio Pizzol

debi-e-loide-2-posterEles esperaram 20 anos por um roteiro que valesse a pena. Nós esperamos 20 anos para rever Jim e Jeff juntos novamente. Eu, particularmente, esperei um pouquinho mais por não querer assistir o filme dublado. No fuim das contas, é um filme legal, que merece, pelo menos, uma dúvida razoável. Então assistam e tirem suas próprias conclusões.

O filme também se passa 20 anos depois do primeiro e mostra Debi e Lóide em uma nova viagem, mas dessa vez o objetivo é encontrar uma certa filha desconhecida de Harry, porque ele precisa de um rim novo. Isso é a única diferença desse para o filme anterior, já que, como os créditos finais demonstram com perfeição, quase todas as situações são iguaizinhas se compararmos os filmes. Mas não leve isso para o lado negro da comédia.

De fato, as piadas envolvendo os 20 anos sem filmes e outras metalinguagem são – ao lado dos ótimos trocadilhos – as melhores piadas do filme na minha opinião. Claro que o filme não é feito só desses momentos mais “inteligentes” e quem já assistiu o primeiro filme sabe que temos que esperar tudo quando temos esses dois personagens insanos em cena.

O roteiro, escrito pelos diretores Peter e Bobby Farelly, Sean Anders, John Morris, Mike Cerrone e Bennett Yellin, sabe aproveitar isso, mesmo errando em alguns aspectos. Do lado certeiro, estão as gags físicas (que são especialidade de Jim Carrey), a metalinguagem (podia ter mais um pouquinho, mas tudo bem), os inexplicáveis trocadilhos, os absurdos elevados ao quadrado e algumas reviravoltas inesperadas. Do lado não tão bom assim estão os momentos repetitivos (como a piada do James Bond) e aquelas piadas ofensivas que nunca agradam todo mundo. Eu não costumo me incomodar com isso, mas acho que algumas dessas passaram do ponto.

Mesmo assim, o balanço do roteiro ainda é positivo por fazer rir e ainda trabalhar um sentimentos nostálgico. A última piada do filme, que brinca com uma possível continuação daqui a 20 anos, é um bom exemplo disso, já que te deixa com vontade de ver outro filme sem deixar o espectador esquecer que primeiro virão 20 anos de saudade.

Como diretores, Peter e Bobby Farelly nunca foram tão inspirados ou excepcionais, no entanto eles já provaram que sabem trabalhar com comédia. E é só isso que é necessário aqui. Os irmãos conseguem controlar o desenvolvimento das piadas, filmar bons gags visuais com os absurdos dos protagonistas e aproveitar uma quantidade avassaladora de improvisos, logo fazem um trabalho interessante e válido para esse tipo de filme.

Crítica-Debi-e-Lóide-2

O que realmente coroa esse trabalho, junto com o jogo de câmeras que visa criar piadas visuais incríveis, é a direção de atores, que eu nem sei se realmente existe quando você tem atores como Jim Carrey e Jeff Daniels no set. E nesse ponto não importa se eles tiveram que controlar atores desse nível ou tiveram a esperteza de deixar a loucura correr solta, por que eles mereceriam elogios em qualquer um dos casos.

Jim e Jeff são, logicamente, a alma do filme e eles não perderam nem um pouquinho do timingcômico e da química nesses 20 anos, mesmo fazendo alguns trabalhos abaixo da média no caminho. São eles que ainda mandam no filme e topam fazer qualquer tipo de piada suja ou idiota, deixando que o filme seja o que tem que ser.

O que realmente coroa esse trabalho, junto com o jogo de câmeras que visa criar piadas visuais incríveis, é a direção de atores, que eu nem sei se realmente existe quando você tem atores como Jim Carrey e Jeff Daniels no set. E nesse ponto não importa se eles tiveram que controlar atores desse nível ou tiveram a esperteza de deixar a loucura correr solta, por que eles mereceriam elogios em qualquer um dos casos.


odisseia-08