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Filmes

Crítica: Como Treinar seu Dragão 3 – Uma bela conclusão

Terceiro longa cai na fórmula, mas emociona como deveria.

19 de janeiro de 2019 - 23:45 - Flávio Pizzol

O primeiro Como Treinar seu Dragão chegou sem muito alarde no meio de 2010 e, de repente, tinha conquistado os corações de crianças e adultos com suas mensagens de amizade e aceitação embaladas em um visual de tira o fôlego. O segundo longa ampliou o escopo, aumentou a gama de personagens queridos e arrancou lágrimas do público com suas escolhas corajosas. Depois de tantas emoções e aventuras, seria impossível não estar ansioso para a conclusão emotiva que Como Treinar seu Dragão 3 prometia ser. E melhor do que isso é ver, apesar de pequenos escorregões, tal promessa ser realmente cumprida…

A trama do terceiro – e, por enquanto, último – filme da franquia se passa um ano depois e já começa com todos os personagens um tanto quanto evoluídos, incluindo Soluço atuando como um líder em Berk, as possibilidades de um casamento e o grupo de jovens amigos salvando dragões capturados como se fosse um grupo de Vingadores nórdicos. As coisas mudam e a paz chega ao fim quando, mais uma vez, surge em cena um grande caçador de dragões que quer acabar com os planos de convivência saudável entre humanos e animais defendido por nosso herói.

O desenvolvimento de todo o texto do diretor e roteirista Dean DeBlois (Lilo & Stitch) parte desse ponto e, querendo ou não, explora uma ideia bastante repetitiva dentro da franquia. É verdade que o Banguela (com muito mais personalidade e voz) tem sua própria subtrama romântica e certos coadjuvantes ganham mais espaço na narrativa, mas é impossível negar que, no geral, os desafios, os erros, os acertos e todas as outras peças continuam no mesmo desenrolar que vimos nos longas anteriores. A única coisa que conta a favor de Como Treinar seu Dragão 3 é que, mesmo preso nessa “fórmula” que já apresenta alguns pequenos sinais de desgaste, o roteiro como um todo sabe usar tudo que é proposto como combustível para evoluir os personagens em definitivo e, enfim, transformar a produção em um terceiro ato para a história que foi iniciada há quase dez anos.

Ao mesmo tempo, a qualidade visual também não evolui muito em Como Treinar seu Dragão 3. No entanto, isso não pode ser considerado um problema quando o que recebemos através da telona é uma fotografia incrível, uma computação gráfica cheia de detalhes que saltam merecidamente aos olhos e uma ambientação cheia de vida para cada um dos novos cenários (destaque para o tal Mundo Escondido que dá título ao longa em inglês). Isso sem contar com a barbada que é falar como a série de filmes sempre acertou – e continua acertando – em cheio no design dos seus dragões, valorizando o carisma que conduz com maestria a empatia do público e os poderes que surgem como diferenciais.

Entretanto, por mais que tudo isso seja funcional e visualmente incrível, a repetição de certas técnicas ou soluções narrativas diminui sim o valor do filme como um todo. Inclusive, entre outras coisas, a ausência de algo novo a ser explorado deixa o segundo ato levemente arrastado quando comparado aos longas anteriores. O que muda isso é justamente um clímax divertido, intenso no quesito cenas de ação e muito acertado. Daqueles finais que, mesmo sendo completamente óbvio, entrega a dose exata do fator emocional que o ato final precisava para que a mensagem de amizade e aceitação do próximo (a mesma que nos foi apresentada lá no início) recebesse a melhor conclusão possível.

E, ainda que o escopo ampliado tenha colocado Soluço como líder e passado a dialogar com uma sociedade completa, o centro da trilogia sempre esteve na amizade verdadeira entre um garoto e seu dragão. Dentro disso, o final encontrado por Dean DeBlois consegue resolver todas as pontas soltas com a sensibilidade, força e diversão que os personagens mereciam sem abrir mão de tudo aquilo que construiu a identidade dos longas. Então preciso dizer que Como Treinar seu Dragão 3 pode até ficar preso nas repetições de sua fórmula e ser ligeiramente inferior aos seus irmãos, porém acerta em cheio ao nos lembrar que a amizade verdadeira é infinita. Assim como essa trilogia também será…