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Como Eu Era Antes de Você é um filme que consegue ser triste e divertido, foge de algumas fórmulas no roteiro, mas tem uma direção simples e objetiva.

Crítica realizada por aquele que não leu o livro.

Quando minha amiga Paula Santos, que complementará essa crítica com sua opinião logo abaixo, me mandou esta frase: “Apenas viva bem. Apenas viva…” que consta na contra-capa do segundo livro de Jojo Moyes, intitulado “Depois de Você, o possível fim da história de Como Eu Era Antes de Você já estava iminente na minha cabeça, além do óbvio título claro, e o trailer só veio me confirmar isso, além de me chamar a atenção, afim de fazer com que eu, que não sou um grande fã de romances, acompanhasse a história.

Rico e bem sucedido, Will leva uma vida repleta de conquistas, viagens e esportes radicais até ser atingido por uma moto, ao atravessar a rua em um dia chuvoso. O acidente o torna tetraplégico, obrigando-o a permanecer em uma cadeira de rodas. A situação o torna depressivo e extremamente cínico, para a preocupação de seus pais. É neste contexto que Louisa Clark é contratada para cuidar de Will. De origem modesta, com dificuldades financeiras e sem grandes aspirações na vida, ela faz o possível para melhorar o estado de espírito de Will e, aos poucos, acaba se envolvendo com ele.

Em uma história de um filme que tinha tudo pra ser batida, por apresentar alguns clichês do gênero, seria importante contar com bons atores para distanciar-se de outras obras. Felizmente a escolha de Sam Claflin como Will, se mostra incrível, o personagem traz amargura e charme ao mesmo tempo. Sam foge do esteriótipo do mocinho bonito, e é competente em sua atuação,  firma-se como um bom ator e há espaço para um crescimento (quem conhece a franquia Jogos Vorazes sabe), além de uma cena em que quase faz uma campanha para ser o novo Bond, mesmo que indiretamente, auxiliado claro pelo sotaque britânico.

A Louisa de Emilia Clarke é a personagem que vai te causar empatia logo na primeira cena, apesar dos exageros, e o questionamento se é possível que exista alguém assim de fato, ela é fofa, extremamente engraçada, além de muito linda.

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A diretora estreante Thea Sharrock opta pelo simples. Você não verá muitas cenas de cunho técnico, afinal o filme não exige isso. Os planos longos abertos, o contra-luz, a trilha sonora exagerada propositalmente para fazer você chorar, tudo isso, já foi utilizado. O roteiro escrito pela própria autora do livro, Jojo Moyes é que se mostra interessante. A mesclagem do drama de Will, com o jeito divertido de Louisa, rende cenas bem engraçadas (uma ótima envolvendo cinema), além de brincar com as dificuldades de Will. Afinal, quando o personagem resolve deixar de ser marrento, o filme realmente se abre, inclusive em sua fotografia.

Um dos pontos mais questionáveis, tanto do livro, como de quem esperava um final diferente para um filme, envolve um assunto polêmico. É interessante ver quem está dentro e fora da situação, suas opiniões e julgamentos. Os coadjuvantes tem papel fundamental nisso, os pais de Will vividos por Charles Dance Janet McTeer, seu enfermeiro por Steve Peacocke, o pai de Louisa por Brendan Coyle e sua irmã vivida por Jenna Coleman, até o namorado babaca interpretado por Matthew Lewis rende boas cenas.

 


Opinião da leitora do livro e minha amiga Paula Santos (leves spoilers)

Olá, sou Paula Santos, amiga de Tiago Soares que me convidou para mostrar minha opinião sobre o romance “Como Eu Era Antes de Você”, comparando livro e filme. Esta é uma história que mexe conosco, nos faz pensar, enxergar outros pontos de vista. Mostra as dificuldades de uma pessoa tetraplégica e aborda um assunto polêmico. Os personagens são cativantes, convincentes, verdadeiros. Você realmente consegue idealizá-los, acreditar que podem existir, nada surreal, apenas o natural.

No livro a personagem Louisa Clark é uma menina estabanada, tem um gosto um tanto quanto “único” para roupas, já que ela mesma as faz. Tem seus momentos de felicidade, raiva, tristeza, decepção, como qualquer outro ser humano. Já Will Traynor costumava ser (no passado) um rapaz super aventureiro, ativo, conquistador, que gostava de viver.

Quando conhece Louisa (há dois anos tetraplégico) se mostra uma pessoa amargurada, desgostosa, sem expectativas e que não tem qualquer bom senso em tratar sua nova cuidadora com a devida educação, sem ironias ou críticas.
A forma com que a autora escreveu seu livro é bem objetiva, clara e tocante, fazendo cada detalhe ser muito importante para o entendimento da história, definitivamente um Page Turner para mim.

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adaptação do livro para as telas, deixou um pouco a desejar na personagem de Louisa, pois no filme a impressão passada é de uma “bobona” que ri de tudo, apenas. Não fica nervosa, bêbada, não sente raiva, decepção, desilusão, o que fica claro no livro. O longa foi muito objetivo, mesmo. Tiraram cenas demais que estão no livro, algumas importantes, na minha opinião.

Cortaram até mesmo personagens, porém isso não influenciou negativamente na história, que me emocionou tal como o livro. Gostaria que o amor tivesse “vencido”, no final, que quebrasse as barreiras da deficiência de Will. Seria uma grande lição de vida, de superação, inspirador para pessoas que estão na mesma situação ao redor do mundo, um final do qual eu desejava. Mas, como dizia um grande filósofo do qual não me recordo o nome “querer não é poder meu amor” rsrs.

Como Eu era Antes de Você

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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