AODISSEIA
Filmes

Crítica: Cinco Graças


20 de fevereiro de 2016 - 11:00 - Tiago Soares

Meninas Mulheres


 Cinco-Gracas-PosterCom a ascensão de mulheres fortes no cinema e na TV (vulgo Imperator Furiosa, Rey e Annalise Keating), Cinco Graças (Mustang no original), é o filme que vem firmar o conceito de que a mulher tem direito a tudo que lhe é permitido e pode ocupar o espaço que quiser na sociedade, mesmo quando isso fere seus conceitos familiares.

O representante da França/Turquia no Oscar 2016, Cinco Graças conta a história de cinco irmãs, Lale (Güneş Şensoy), Nur (Doğa Doğuşlu), Ece (Elit İşcan), Selma (Tuğba Sunguroğlu) e Sonay (İlayda Akdoğan) que vivem em um vilarejo turco. No início do verão, todas resolvem ir a praia e acabam encontrando alguns garotos, assim resolvem brincar com eles, mal sabendo que aquilo iria acarretar em prejuízos fortes em suas vidas. A partir daí sua casa se torna uma prisão: elas não podem ir a escola, precisam aprender a cozinhar e a realizar tarefas domésticas e seus casamentos ainda serão arranjados.

É incrível a forma que a diretora Deniz Gamze Ergüven, que também assina o roteiro ao lado de Alice Winocour, consegue dar espaço as cinco personagens centrais da trama em uníssono. Todas são importantes, todas tem frases impactantes e todas são fortes. Ressalto que o roteiro é coeso e natural em toda a trama, tornando cada fala das garotas uma gota de realidade. O pequeno destaque (com perdão do trocadilho) fica com a irmã caçula Lale, que assiste a todas a regras impostas as meninas, sejam elas para o seu bem ou não. Há um cena em particular que envolve uma fuga, no qual uma das garotas diz que serão pegas e irão apanhar muito, sendo que uma delas responde: “Pelo menos algo vai acontecer”.

O elenco de apoio também é primoroso com Nihal Koldaş fazendo a avó das meninas, a grande mãe protetora e salvadora (em uma cena incrível), Ayberk Pekcan como Erol, o tio carrasco, e Burak Yiğit, amigo de Lale e personagem importante na reta final da história.

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A direção é algo a se elogiar, já que até em cenários abertos, todas as tomadas são fechadas, dando a impressão de prisão. A câmera acompanha as garotas, seus rostos, seus jeitos e suas vidas na prisão ou fora dela, de maneira claustrofóbica, gerando a sensação imediata de fazer justiça, em meio a poucos momentos de alegria e muitos de tristeza.


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