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Critica: Capitão América – Guerra Civil

29 de abril de 2016 - 11:00 - Flávio Pizzol

Uma verdadeira aula de como reunir super-heróis


teamsvscivilwarposterA expectativa era grande, afinal estamos falando da adaptação de um dos eventos mais ousados e espetaculares que a Marvel já fez nos quadrinhos. Mesmo assim, as ausências burocráticas de alguns personagens deixavam algumas dúvidas no ar. E, no final das contas, o resultado é que Capitão América – Guerra Civil dá uma aula sobre reunião de super-heróis com um roteiro incrível e uma direção magnífica.

Com uma escala bem menor menor que aproveita apenas o conceito da HQ original, o filme basicamente segue as consequências da cisão entre os heróis após o governo apresentar uma lei que visa controlar as ações dos mesmos e evitar mais desastres como os de Nova York e Sokovia. Esse é o estopim para Capitão América e Homem de Ferro formarem suas alianças e darem inicio a um confronto ideológico e violento que já começou a ser preparado no primeiro longa dos Vingadores.

Tudo é muito bem preparado, adaptado dentro do possível e inserido na trama aos poucos pela dupla Christopher Markus e Stephen McFeely em um roteiro coeso, envolvente, muito bem amarrado e, principalmente, equilibrado em todos os aspectos que marcam os longas da Marvel. A presença do Soldado Invernal funciona muito bem como fio condutor da trama, as motivações e ideologias de cada membro do grupo fazem muito sentido dentro do universo criado até aqui e o desenvolvimento do longa consegue reunir drama, suspense, ação e humor de uma forma fluída e extremamente acertada.

Além de tudo isso, o roteiro dá o espaço necessário para que cada personagem tenha seu momento de destaque e seja importante em algum ponto da trama, deixando um gostinho do que podemos esperar da próxima (e ainda maior) reunião de heróis em Vingadores – Guerra Infinita. Logicamente, o Capitão e o Homem de Ferro têm um pouco mais de destaque e merecem o título de protagonistas do filme, mas isso não quer dizer que o público possa ignorar as ótimas participações do Homem-Formiga, do Visão, da Viúva Negra, da Feiticeira Escarlate, do Gavião Arqueiro e do Soldado Invernal.

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O único personagem que talvez não tenha um desenvolvimento tão interessante é o Barão Zemo, mas isso é facilmente perdoado quando os roteiristas fazem apresentações perfeitas para o Pantera Negra e para o super esperado Homem-Aranha. Muito mais utilizado do que eu esperava, o Pantera tem grande importância com uma boa parte da sua origem sendo estabelecida junto com um uniforme foda e um estilo de luta impecável, mas isso não impede que Peter Parker roube a cena instantaneamente com a união certa entre nerdice, inexperiência e carisma que o fazem ser o melhor Aranha do cinema.

Claro que boa parte disso só é possível porque o elenco está mais afiado e unido do que nunca. Chris Evans continua sendo a personificação perfeita da liberdade defendida pelo Capitão, Scarlett Johansson transmite os dilemas da Viúva com perfeição, Chadwick Boseman acerta no senso de gravidade e imponência que o Pantera Negra precisa ter e Sebastian Stan continua o bom desenvolvimento do seu personagem iniciado no longa anterior. Paul Rudd, Tom Holland, Anthony Mackie e Paul Bettany também trabalham bem como alívios cômicos, enquanto Robert Downey Jr. acaba surpreendendo ao transmitir todo o peso dramático que cada momento da guerra tem no seu personagem.

E as sequências de ação, brilhantemente conduzidas pela direção espetacular dos irmãos Anthony e Joe Russo, acabam sendo a cereja do bolo. Elas entram na hora certa, ajudam a definir o tom do filme, possuem peso dramático quando necessário, divertem em todos os momentos e funcionam em uma crescente que chama atenção. É muito interessante observar como os duelos corpo a corpo que inundam a primeira metade do longa usa muito bem a proximidade e câmera de mão do longa anterior para que o próprio decorrer da história amplie o escope e deixa tudo muito mais afastado e parecido com o que eles devem fazer no próximo longa dos Vingadores.

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O ápice do trabalho muito bem realizado por eles é a cena do aeroporto, que pode ser facilmente considerada uma das melhores sequências de ação já realizadas em um filme de herói. Eles orquestram tudo de maneira mais do que brilhante, trabalhando muito bem com a quantidade de personagens em cena, a diferença de escala, os estilos de luta e a alternância entre cada duelo individual. É um sopro de diversão e boa utilização dos poderes antes de um clímax ainda mais concentrado e dramático.

Apesar disso, eu ainda fiquei um pouquinho incomodado com a pequena falta de coragem do final, que deixa no ar um clima de paz que não deveria existir. Uma cisão mais séria faria bem para o universo como um todo, mas isso não chega nem perto de conseguir tirar o brilho do resultado. O roteiro funciona de maneira sensacional mesmo sem ser uma adaptação fiel, os irmãos Russo comprovam que são ótimos diretores e filme como um todo mostra mais uma vez que é possível fazer um grande filme de heróis sem abrir mão da coesão e da diversão. Sem dúvida nenhuma, um dos três melhores filmes da Marvel em toda a sua história!


OBS 1: Querida Marvel, parabéns pela apresentação curta e perfeita do Homem-Aranha. Definitivamente não precisávamos ver toda a sua origem de novo.

OBS 2: O longa tem duas cenas pós-créditos. Não saia da sala!


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