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Parte do projeto Welcome to the Blumhouse, Caixa Preta revela o poder do subconsciente e o medo do esquecimento


Obras sobre a mente humana sempre atraem a atenção daqueles que desejam resolver quebra-cabeças, atravessar labirintos ou solucionar cubos mágicos. “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”, “Amnésia”, e até um episódio de Black Mirror, usam do tema para falar sobre nossos traumas mais profundos, aqueles armazenados no subconsciente.

“Caixa Preta” (Black Box, no original), segue a mesma premissa ao contar a história de Nolan, um pai solteiro, que após perder sua esposa e a memória em um acidente de carro, passa por um agonizante tratamento experimental que o faz questionar quem ele realmente é.

Nolan até consegue reviver alguns momentos de sua vida ao adentrar a “caixa preta” do título, (aparato tecnológico que se parece demais com o “nada” apresentado na cena de hipnose em Corra!). Aliás, Dra. Lillian, porta-voz do projeto, lembra os métodos de hipnose vistos no terror em questão (também da Blumhouse).

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caixa preta

O problema é que Nolan não se recorda de ter vivido aquilo. Não lembra dos lugares, e nem das pessoas, já que elas aparecem com o rosto borrado. Para completar, uma figura que parece humana, mas anda se contorcendo como uma aranha (com ossos quebrando a cada movimento), o persegue todas as vezes que tenta lembrar de algo.

O filme do estreante Emmanuel Osei-Kuffour Jr. caminha na linha tênue entre a ficção científica e o horror, auxiliado pela trilha pulsante de Brandon Roberts, e a fotografia de Hilda Mercado, quando Nolan adentra as suas possíveis lembranças.

O personagem do excelente Mamoudou Athie, deixa evidente que ele é uma “casca” desde o começo. Um objeto de estudo que servirá para bens maiores. Não pretendo revelar spoilers neste texto, mas apesar de pequenos plot twists, Caixa Preta independe deles para funcionar.

Entendemos a complexidade da mente humana, e os perigos de se brincar de Deus, algo que a Dra. Lillian (Phylicia Rashad, a mão de Adonnis, em Creed), deixa claro desde o começo, além de trazer consigo uma aura misteriosa. Moral e ética são questionados, ao passo que os sentimentos parecem tomar o controle.

Já na parte final, quando abandona o horror e se entrega ao drama, Caixa Preta falha exatamente nessa transição, muito por conta da rápida conclusão de seu plot principal. Aqui, notamos a falta de experiência de Kuffour Jr., que mostra total domínio nas cenas tensas e sufocantes, mas que peca ao exagerar no melodrama.

Por fim, Caixa Preta é um filme sobre sobrevivência, e sobre não esquecer quem somos. A medida que a mente se degrada, o ser humano parece seguir um pensamento mais egoísta, cercando-se de solidão, por vezes, preferindo morrer abraçado a suas convicções.


Caixa Preta está disponível na Amazon Prime Video!

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Caixa Preta

7.5

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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