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Buscando é inventivo, tenso, um suspense de primeira e já podemos afirmar que estará na lista de melhores filmes do ano

A linguagem audiovisual usada em Buscando não chega a ser uma novidade. A câmera diegética, tentando trazer certa legibilidade narrativa já tinha sido usada no terror Amizade Desfeita de 2014 e mais recentemente com Selfie Para o Inferno, que brinca um pouco com o artifício. Ambos os exemplos são péssimos e focam bastante no terror, portanto não assustam e muito menos trazem a sonhada credibilidade a algo que poderia ser melhor desenvolvido.

Graças a Buscando — um dos melhores filmes do ano — o falso documentário (mockumentary) ganha uma sobrevida e pode ser arriscado em outros gêneros, como foi neste suspense. O filme conta a história do misterioso desaparecimento de Margot Kim (Michelle La) e a busca incessante do pai até encontrá-la. Após 37 horas do sumiço, o pai decide invadir a privacidade da filha e está disposto a passar por cima de todas as leis da ética.

Com um belo início, o primeiro longa de Aneesh Chaganty mostra a que veio. Se utiliza ao máximo da frase: “Cinema é mostrar e não falar”, ao mesmo tempo em que diz muito apenas com imagens. Usando a verossimilhança documental que só o estilo pode trazer, Aneesh faz um background parecido com o que vemos no início de Up – Altas Aventuras.

Com os personagens apresentados, partimos pro suspense —  e ao tornar o espectador parte da investigação — o roteiro do diretor em parceria com Sev Ohanian acerta em cheio. É impossível se desgrudar da cadeira. A cada tela “literalmente” aberta, o público viaja pelos desdobramentos de uma narrativa que quando parece finalizada, ganha um fôlego descomunal.

Fazer os personagens funcionarem em um mundo apresentado de forma totalmente digital não é uma tarefa fácil, mas é possível reconhecer a motivação de todos eles. Desde os mais profundos como o pai David Kim, vivido por um implacável John Cho, até os mais rasos como a Abigail de Briana McLean. O filme toca na ferida —  ao fazer uma crítica real a um mundo repleto de mentiras e totalmente tóxico —   aonde todos tem voz, e nem sempre será bom ouvi-las. A Detetive Vick de Debra Messing é o contraponto perfeito a um esperançoso David. Cética ao extremo, sua personagem é capaz de gerar afinidade, ao mesmo tempo em que deixa o gosto de ojeriza.

Uma grata surpresa em 2018, Buscando já pode ser considerado um dos melhores suspenses da década. Usa a tecnologia ao seu favor e é um filme que saiu no tempo certo (gravado em 13 dias, mas editado e animado por 2 anos). Se você conseguir fugir dos spoilers melhor ainda, pois são tantos plot twists que sua cabeça pode dar um nó em alguns momentos. Inventivo, a melhor forma de matar a curiosidade é largar a internet e ir direto pro cinema.

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Buscando

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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