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Filmes

Crítica: Bruxa de Blair

A Bruxa de Blair versão 2016

16 de setembro de 2016 - 16:00 - Tiago Soares

Quando o SBT transmitiu “A Bruxa de Blair” pela primeira vez, senão me engano em um sábado a noite, lá estava eu querendo saber se tudo aquilo que o comercial enfatizava era verdade. Jovens estudantes de cinema, saem em busca de uma lenda em forma de bruxa na cidade de Burkittsville, antiga Blair, para fazer um documentário sobre a fatídica bruxa do século XVIII. Não é necessário dizer que tudo vai mal, e a fita com os jovens é encontrada anos depois, resultando no filme. É correto afirmar que na época o filme não me assustou tanto, muito estava no poder da sugestão do que nas coisas que de fato aconteciam, ver pessoas correndo com câmeras na mão e nos seus rostos, era uma novidade na época, que não chegou a ser precursora já que em 1980, Ruggero Deodato trazia o seu bizarro Holocausto Canibal que me assustou bem mais.

Quase 20 anos depois, o jovem diretor Adam Wingard quer repetir o boom, ou pelo menos honrar o que Daniel Myrick e Eduardo Sánchez fizeram em 1999, ignorando a sequência horrorosa e trazendo a mitologia de Blair às telas novamente. Antes chamado The Woods, o filme causa um frisson se relevando uma continuação direta do clássico na Comic Con San Diego 2016. Antes de ver o novo Bruxa de Blair, resolvi rever o primeiro, que envelheceu bastante, mas vemos muitas coisas dele serem repetidas até hoje, mais do que um filme de terror, pude perceber que aqueles três jovens estavam extremamente estressados por estarem ali, tornando os diálogos muito mais verossímeis e tudo muito mais aceitável.

Desta vez não são três e sim seis jovens que partem em busca de uma pista, já que James (James Allen McCune), encontrou um vídeo no Youtube (em uma primeira cena que já mostra a “atualização”), em que acha que viu de relance sua irmã Heather (a moça do primeiro filme) em uma casa. Daí vimos que após o desaparecimento dos jovens do filme original, houveram equipes de busca e nada foi encontrado, todas convenientemente de dia, tornando o filme realmente uma continuação direta. James então decide voltar a floresta com a ajuda do amigo de infância Peter (Brandon Scott), sua namorada Ashley (Corbin Reid), uma amiga estudante de cinema que deseja fazer um documentário Lisa (Callie Hernandez, a moça é a cara da Rachel Weisz) e no caminho encontram os dois responsáveis por postar a gravação Lane (Wes Robinson) e Talia (Valorie Curry).

O roteiro de Simon Barrett resolve repetir praticamente as mesmas situações do filme original, o que não é ruim. Temos a bebedeira antes da viagem, a dúvida se vale a pena ou não adentrar a floresta e principalmente os atritos constantes entre os jovens em relação a seguir com aquilo ou não. A diferença é que estamos em 2014 (pelo menos no filme) e tudo foi atualizado. Câmeras individuais com GPS, smartphones, câmeras acopladas nas árvores, walkie talkes e um drone (que acaba apenas fazendo charme e se mostrando bem inútil). Com uma duração um pouco maior do que o original, o terror aqui demora a acontecer e quando acontece o elenco não compromete e vai bem na maioria das cenas.

A mudança de câmeras e os takes no rosto e em seguida na frente, seguidas da frase “o que é aquilo?” já foram vistos inúmeras vezes. De primeiro modo um certo elemento humano, acaba causando a dúvida nos jovens se aquilo de fato está acontecendo, o que era apenas sugerido no clássico de 1999, aqui de fato acontece. A divisão do grupo, algo feito para não cansar o espectador se torna um acerto, com pitadas de burrice da parte deles, mas se formos analisar a situação e nos pôr no lugar, seria completamente plausível. Outro ponto diferente aqui, é o uso da floresta como arma, pois muitas árvores parecem se mover, e os mixagem de som, deixa os personagens pequenos, é como se um gigante, uma força maior habitasse aquele lugar.

Apesar de em grande parte da produção, nada novo ser apresentado, uma novidade na mitologia da Bruxa de Blair é de cair o queixo. No começo apenas sugerida, ela vai se desenrolando com o passar do filme, para no final deixar uma certa pulga atrás da orelha. Não vou dar nenhum tipo de spoiler aqui, mas fique atento a cada entrada do personagem de Wes Robinson e as coisas começarão a se encaixar.

Com um fim bastante ambientado num jogo da franquia Resident Evil e uma conclusão parecida com “A Bluxa de Blair (The Blair Witch Project), o novo filme peca em não trazer algo novo em sua linguagem, mesmo que tenha feito isso em sua história. O gênero found footage deve ser repensado, e ao contrário do que o próprio diretor Adam Wingard mencionou em uma entrevista, não é o futuro do horror, e hoje já é passado. A Bruxa, Invocação do Mal 2, The Invitation, Hush – A Morte Ouve, O Homem nas Trevas e Bruxa de Blair, fazem de 2016 um grande ano para o terror.