AODISSEIA
Filmes

Crítica: Bob Esponja – Um Herói Fora D’Água


9 de fevereiro de 2015 - 13:38 - Flávio Pizzol

Bob-EsponjaBob Esponja nunca foi um desenho pensado para ser visto apenas por crianças. Também nunca foi algo muito certo da cabeça. Não consigo contar nos dedos quantas teorias da conspiração já li sobre o programa ou quantas vezes vi meu professor de português no IFES discursar sobre o fato de Bob e Patrick serem um casal gay. Claro que eu sabia que isso não seria usado no filme, mas todo o passado do desenho me dava o direito de esperar algo, pelo menos, surreal e divertido.

E sim, eu tive essa boa experiência, porque o filme nada mais é do que uma espécie de versão estendida do desenho. Ele começa, pra variar, com Plankton tentando roubar a fórmula secreta do hambúrguer de siri. Quando ele finalmente consegue, a garrafa simplesmente some da sua mão e mergulha a Fenda do Bikini em um estado pós-apocalíptico. Para salvar tudo, Bob Esponja e seu grupo precisam subir para a superfície e enfrentar o temido Capitão Barba Negra.

O desenvolvimento, a ação e as piadas são muito parecidas com as do desenho em si e o longa não perde nada daquela essência que faz qualquer pessoa gostar de Bob Esponja. Na verdade, ao contrário do que os trailer davam a entender, mais da metade do filme se passa embaixo d’água do mesmo jeitinho que o original. Eles sobem para a superfície já no clímax e só dão ao filme um pouco mais de tecnologia, ação e sátira aos filmes de super-herói.

As piadas que são o verdadeiro destaque do filme, principalmente, por não deixarem de agradar todos os públicos. Temos muitas coisas fofas e gags bobinhas para as crianças, mas também temos alguns momentos que fazem deste quase uma comédia de auto-referência, no estilo deAnjos da Lei 2. São desde referências cinematográficas, como o mundo pós-apocalíptico parecido com Mad Max, até as auto-referências aos filmes. É genial ver o pirata participar do filme enquanto lê a mesma história, ter créditos que entram no meio do filme ou gaivotas que assistem as cenas de ação com óculos 3D.

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E ainda falta adicionar à mistura um pouquinho de loucura que não pode falta em Bob Esponja, porque essas são justamente aquelas piadas que estão no ponto e que conseguem agradar todo mundo. E o que mais marca nesse filme, que quase não se leva a sério, são as piadas envolvendo números musicais (o que é aquele rap sensacional no final) ou coisas alucinantes, que vão desde viagens psicodélicas até golfinhos mágicos do futuro.

Entretanto, infelizmente, algumas dessas piadas perdem a força ali no clímax, que prioriza a loucura de uma grande cena ação e esquece do todo. Não que esses sejam momentos descartáveis, mas algumas piadas não funcionam e a insistência na lição de moral soa um pouco forçada. É aqui que o roteiro escorrega por tentar se levar a sério, mas – por sorte – não estraga o filme.

Pelo menos, tudo é muito bem dirigido. O início não muda muito e o trabalho feito por Paul Tibbitt, que substituiu o criador Stephen Hillenburg na direção, não difere muito do que já foi feito na TV e no filme anterior, mesmo com a maior quantidade de ação. O grande diferencial de Tibbitt está exatamente no clímax, onde ele mistura de maneira interessante o live-action com a computação gráfica e os poderes dos personagens.

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Quanto ao elenco, também não preciso fazer grandes comentários. A dublagem nacional de Bob Esponja já provou sua qualidade há muito tempo com o grande Wendel Bezerra dando voz ao protagonista. E considerando que muita gente ainda acha a versão brasileira melhor do que a americana, todo trabalho feito aqui, com Bezerra atuando também como diretor de dublagem, é impecável e acerta até nas traduções dos muitos trocadilhos lançados pelo roteiro.

Dentro do elenco humano o único grande nome e, automaticamente, destaque é Antonio Banderas como o vilão do filme, que rouba a fórmula para ter sua própria franquia de food trucks. O personagem não é tão bem desenvolvido, mas sua motivação parecida com a de Plankton e a atuação à la Jack Sparrow de Banderas ajudam a tornar o pirata suficientemente carismático.

Não é um filme perfeito, mas é insanamente divertido. Toda a nostalgia que eu senti por não ver a série de TV há muito tempo, deixam claro que, se bem feito, Bob Esponja pode ganhar vários filmes. Eu fiquei com vontade ver mais dessa insanidade, auto-referência e, principalmente, dessa falta de preocupação e desse fundo do mar espetacular. Recomendo com prazer.


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