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Vendido como uma versão +18 de “Esqueceram de Mim”, Becky não tem a magia do clássico da Sessão da Tarde, mas ganha em sangue jorrado


O cinema de terror de primeiro escalão anda numa linha tênue com os filmes B. Elementos são trocados, e um filme por vezes considerado menor surpreende. Se um filme de horror se autointitula um filme B, a forma de julga-lo muda, pois sua proposta também muda.

Neste filme, a menina Elisabeth Hooper está sofrendo com o luto de ter perdido sua mãe e as coisas só pioram quando seu pai Jeff revela que pretende se casar com uma nova namorada. Ela não aceita essa nova figura feminina em sua vida, mas terá que colocar suas diferenças de lado quando um grupo de fugitivos da prisão invade sua casa. Para completar, todos são neonazistas, e são comandados por um louco com uma suástica tatuada na cabeça chamado Dominick.

As ideias de Becky

‘Becky’ é ousado, seja por sua proposta inventiva ao colocar uma criança no meio da ação, ou por escalar atores provindos da comédia em papéis dramáticos. Mas ousadia não quer dizer qualidade.

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Se a direção de Jonathan Milott e Cary Murnion acerta nos momentos de ação, extrema violência e no desenvolvimento da protagonista, erra na condução da narrativa, que demora para engrenar e se entregar ao cinema B e trash citado no início. A direção de atores também não é lá essas coisas, com algumas situações robóticas.

Lulu Wilson rouba a cena como Becky. A menina já é figurinha carimbada em filmes de terror e pode se tornar uma final girl da nova geração. Ao contrário dela, Kevin James não vai muito bem como líder da gangue. O ator de comédia, conhecido pelos filmes com Adam Sandler se mostra caricatural, e em uma cena específica onde tira a camisa, beira a vergonha alheia.

Seus companheiros de cena são tão profundos quanto um pires, e o pai de Becky vivido por Joel McHale (estrela de “Community”) parece preguiçoso, assim como sua parceira Kayla, vivida por Amanda Brugel (de “The Handmaid’s Tale”).

Mas o filme Becky vale a pena?

Apesar da pouco entrega de grande parte do elenco, o contraste ao ver uma garota aparentemente indefesa assassinando os invasores um a um, é bastante chocante. As armadilhas e os improvisos de Becky são dignos de nota, e sem dúvida estamos diante de uma protagonista esperta, nível Kevin em ‘Esqueceram de Mim’.

As motivações do vilão e seus comparsas são confusas e mal explicadas, mas apesar do roteiro fraco, ‘Becky’ diverte muito por conta do exagero, e sua força está na maquiagem comandada por Karlee Morse e no sangue jorrado, tornando-o um torture porn de respeito, mesmo que não seja suficiente.


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Becky (2020)

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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